Vilã sexy em ‘Todas as flores’, Barbara Reis tinha complexo do corpo: ‘Só usava calças, não queria mostrar minhas coxas grossas’

Sempre muito bem maquiada e arrumada na pele da vilã Débora, de "Todas as flores" — novela cuja primeira temporada pode ser assistida pelo Globoplay —, Barbara Reis chama atenção em cena pelos decotes e saltos altos poderosos. A atriz, de 33 anos, revela ter adotado novos hábitos e postura para se sentir mais confortável ao interpretar a bandidaça.

— Comprei três sapatos de salto alto que eu conseguisse usar todos os dias para ganhar a postura da Débora. Normalmente, eu calço tênis, bota, coisas mais práticas. Também adquiri itens de maquiagem e passei a fazer as unhas com frequência. Eu só me produzia e ia à manicure em situações pontuais. Uso o básico: protetor solar com cor, blush e rímel. Aderi a sombra, delineador, iluminador... Tudo para construir em mim essa sensualidade da personagem. Queria sentir no meu dia a dia como é ser olhada neste lugar de destaque, de chamar atenção. E separei um dos meus perfumes, o Chloé Nomade, só para usar no set, na pele dela. É doce, marcante — detalha.

A imagem sexy “exigida” por Débora, inclusive em cenas de lingerie, ainda ajudou sua intérprete a superar um bloqueio que tinha com o próprio corpo, desde a infância. Ela conta:

— Apesar de saber que sou uma mulher bonita e sensual, não fico seduzindo o tempo inteiro na vida pessoal. Desde pequena, como a maioria das meninas, fui ensinada pela minha mãe e pelo meu pai a ter comportamentos que tolhiam a minha liberdade, tipo “senta de pernas fechadas”, “não deixa a calcinha aparecer”. Lembro que com meus 12 anos eu já tinha peitos e bunda aparentes, mas era uma menina ainda. E me escondia para que, nas ruas, nenhum homem mexesse comigo. Usava a camiseta larga do meu irmão e uma bermuda mais comprida para evitar o assédio. Eu tinha raiva disso! Já mulher, sempre evitei decotes profundos. Virou um estilo. Mas ouso numa ocasião ou outra em que escolho sair mais chamativa ou para um trabalho. Então, trazer isso para o meu cotidiano com a Débora rompeu uma barreira de uma vida.

Por saber que faria cenas em que seu corpo ficaria excessivamente exposto, ela também se preparou fisicamente. Como já tinha bons hábitos alimentares, caprichou nos exercícios físicos para ganhar massa muscular e ficar com os contornos mais definidos.

— Malhava três vezes por semana, passei para seis, com disciplina. Esse compromisso comigo me deixou mais confortável para encarnar uma femme fatale, com figurino justo, braços de fora... Não perdi peso, só troquei gordura por músculos. Continuo com os mesmos 80kg em 1,74m de altura. Não é um corpo magro. Quem me vê percebe que sou uma mulher grande, mas que treina — observa ela, que come arroz, feijão, legumes e proteína diariamente: — Comigo, não tem essa de só salada. Não tenho nenhum tipo de restrição, só evito pizza, que é minha paixão. Antes, comia todo fim de semana, agora é de 15 em 15 dias. Mas amanhã eu vou para um aniversário de criança, e amo bolo com recheio, confeitado. Vou comer! Eu não me privo de nada. Até porque sei que o que eu malho durante a semana me permite essas escapadas.

A autoestima e a aceitação do próprio corpo foram evoluindo com o passar dos anos.

— Eu sempre tive um complexo com meu corpo. Até hoje tenho um pouco. É um processo, uma conquista diária. Sempre fui uma mulher magra, mas no estilo da brasileira, com quadril largo. Então, de alguma forma, eu era rejeitada pela indústria da magreza. Quando adolescente, eu queria me enquadrar no padrão. Chegou uma época em que eu só usava calças, não queria mostrar minhas coxas grossas. Depois que a gente vira adulta e amadurece, percebe que é uma grande besteira, né? O importante é estar bem consigo mesma — reflete Barbara.