Vinhos de Portugal 2021: quem são os 25 produtores que pela primeira vez participam do evento em formato digital

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Já viu que vai chover o tempo todo no Douro?”, pergunta o Pedro. Prefiro não responder. A previsão às vezes falha. Lá vamos nós para a estrada, e os três primeiros dias de viagem dão chuva forte. Começamos a nossa aventura no Menin Douro Estates, projeto de dois brasileiros. Passamos o dia fugindo da chuva com o enólogo português João Rosa Alves e, num intervalo milagroso em que o céu do Douro abriu-se mais azul do que no resto do mundo, conseguimos gravar.

Ingressos: para ter acesso às provas e talk shows do Vinhos de Portugal 2021, basta clicar aqui.

Mas quem convence Celso Pereira, do Quanta Terra, de que Deus é brasileiro (de vez em quando) e que o sol vai aparecer, quando o céu está totalmente coberto? “Vocês não conhecem o Douro”, diz categórico. Só dá para concordar e torcer secretamente por um milagre. Às dez da manhã, o sol aparece com toda a sua força. O acontecimento virou piada do resto da filmagem e rendeu muitas gargalhadas com o Celso e o Jorge Alves, os enólogos sócios do Quanta Terra. Podíamos ter ficado a tarde toda em volta da mesa do almoço, bebendo os vinhos dos dois, mas tínhamos que conhecer outro projeto fruto de uma paixão lusa-brasileira pelo Douro.

O enólogo português Diogo Frey Ramos nos recebe na Quinta da Marcela no esplendoroso Vale de Mendiz. São as Duas Árvores, de dois amigos que vêm do Brasil. O sol continua a nos aquecer.

O Douro nunca cessa de nos surpreender e, na Quinta de Santa Luzia, temos uma visão idílica no meio dos vinhedos ao ouvir as histórias de Vicente Faria. Mas está na hora de começar a descer. Fazemos uma parada no Dão para conhecer os vinhedos do Carlos Lucas, da Magnum, e sua paixão pelos brancos, em especial pela uva Encruzado. Foi um banquete, é claro, regado a vinhos e bacalhau.

Na região do Tejo, no Ribatejo, cavalgamos com o José Lobo de Vasconcelos pela história de mais de 200 anos do Casal Branco, que ganhou este ano o prêmio de melhor vinho branco varietal no Concurso de vinhos portugueses da ViniPortugal. Com a enóloga Martta Reis Simões, da Quinta da Alorna, descobrimos a história da quarta Marquesa da Alorna, muito à frente do seu tempo, que, no século XVII, influenciou a rainha a criar a primeira escola para meninas em Portugal.

Partimos para a região vitivinícola de Lisboa onde os engenheiros da Torre Eiffel deixaram sua marca na Quinta da Fonte Bela. Lá ouvimos as histórias do pai, José Neiva Correia, e do filho, Vasco, sobre a DFJ Vinhos, comendo sardinhas com vinho tinto. Também fomos conhecer a Casa Santos Lima, um dos maiores exportadores de vinho português, comandado por José Luís Oliveira da Silva, a quem convencemos a dirigir o Morgan, icônico carro inglês, até o meio das vinhas para uma foto. Para terminar o nosso percurso por Lisboa, fomos conhecer Luís Vieira, da Parras Wines, na Quinta do Gradil, uma propriedade do século XV.

“O Alentejo não é uma província, é um país”, lemos no muro da aldeia de Aljustrel. É a nossa parada antes de chegarmos a Cortes de Cima para conhecer a revolução que Anna Jorgensen, filha de uma americana e de um dinamarquês, está fazendo. Tudo nesta propriedade da Vidigueira é pensado para ser sustentável.

O país Alentejo seduziu o alemão Dieter Morzeck, herdeiro e ex-presidente das malas de luxo Rimowa, que depois de vender a marca, comprou a Quinta do Paral, também na Vidigueira, onde está construindo um hotel e um restaurante de luxo. Temos a dimensão da história do Alentejo quando conhecemos o Julian Reynolds, do Reynolds Wine Growers, ou os Reynolds de Portugal como ele gosta de dizer. Julian é descendente de três irmãos que foram parar no Alentejo no século XIX. Trocou a Columbia Pictures e o cinema pelos vinhos e, com uma câmera nas mãos, conta que só produz vinhos premium.

Quase nos perdemos nos vinhedos cercados de olivais e de rebanhos da Herdade do Paço do Conde, onde pedimos com muito jeitinho que o Pedro Schmidt entrasse numa das 12 barragens que foram construídas pela sua família há 30 anos para garantir água para as plantações. Já a enóloga Patrícia Peixoto, da Santa Vitória, preferiu subir numa árvore depois de nos levar para um piquenique.

Quem vai ao Alentejo e não vai a um monte é como se não tivesse ido. O nosso foi o da Ravasqueira, onde já chegamos com o carro a dar sinais de cansaço. Foi rebocado, o que não nos impediu de almoçar com os nossos anfitriões Vasco e João. Para que carro quando se tem carruagens à sua disposição no museu da Ravasqueira?

No embalo das carruagens fomos visitar castelos. No Alentejo, a inspiração vem do Castelo de Redondo, cuja porta está nos rótulos dos vinhos da Adega de Redondo. Em Palmela, na Península de Setúbal, o enólogo Luís Silva nos guia pelo castelo que inspira os vinhos da Adega de Palmela, de onde podemos ver o rio sado e, num dia claro, Lisboa.

Em Setúbal, fomos recebidos por Leonor Freitas, da Casa Ermelinda Freitas, que se orgulha de só ter mulheres no comando. Um negócio que passa de mãe para filha. Na península, tão perto de Lisboa, visitamos também a Sociedade Vinícola de Palmela, onde Vasco Guerreiro chegou há pouco tempo para valorizar a uva Castelão.

Hora de partir de novo para o norte: percorremos mais de mil quilômetros em 36 horas. No Minho, visitamos a Quinta de Azevedo, propriedade da Sogrape onde o enólogo António Braga nos conta o conceito dos vinhos brancos da região de Vinhos Verdes, para ele, a nova onda.

Voltamos para o Douro, onde tudo começou há três semanas. Um dia, o enólogo Carloto Magalhães convenceu o tio a ir visitar uma quinta em Muxagata. À tarde, a compra estava feita e, assim, nasceram os vinhos do Palato do Côa. A paixão uniu o casal Olga Martins e Jorge Moreira: a Quinta do Poeira fica numa região tradicional do Douro para vinhos do Porto, mas Jorge resolveu produzir tintos extraordinários. Olga Martins também comanda a Lavradores de Feitoria, um projeto de viticultores do Douro que se uniram para serem mais fortes.

Terminamos a nossa viagem dentro do Parque Natural do Douro Internacional, quase na fronteira com a Espanha. Marta Galamba nos mostra este paraíso da biodiversidade, onde os vinhedos convivem com a preservação das espécies. Acumulamos na bagagem histórias de 87 produtores, mas chegou a hora de nos separarmos e de terminar o ano de aventuras pelos vinhedos portugueses. Desta vez, tivemos que ceder à vontade do produtor, mergulhamos e acabamos na água, os três agarrados à tela branca usada nas fotos.

Escrevo as últimas linhas deste texto sentada em frente ao Douro, na Casa do Rio, o outro hotel da Quinta do Vallado, ou melhor, um paraíso às margens do rio, mais próximo à fronteira da Espanha. Aqui, o Douro parece mais selvagem, o silêncio mais profundo, e penso que se o filósofo grego Heráclito escreveu que nunca se banha duas vezes no mesmo rio é porque não conheceu o Douro.

Saiba como comprar seus ingressos

Venda: assinantes dos jornais O GLOBO e Valor Econômico tem 20% de desconto. Valores das provas: de R$ 500 a R$ 770 + taxas (para as provas gerais com as garrafas de vinho entregues em casa) e R$ 975 + taxas (para as provas premium, com as garrafas de vinho entregues em casa). Valores dos talk shows: R$ 100 + taxas (com gift box entregue em casa). Informações: vinhosdeportugal2021.com.br

O Vinhos de Portugal é realizado pelos jornais O Globo, Público e Valor Econômico em parceria com a Viniportugal, com a participação do IVDP, Instituto do Vinho do Douro e do Porto, apoio da Comissão Vitivinícola do Alentejo e da Comissão Vitivinícola de Setúbal, restaurante oficial Bairro do Avillez, projeto da Out of Paper.

A jornalista Simone Duarte viajou com o videógrafo Pedro Kirilos e o fotógrafo Fernando Donasci. A produção foi de Joana Figueiredo.

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