Vinhos de Portugal: drinque em lata é 'queridinho' no último dia do evento

Uma longa jornada, que começou no início da tarde e se estendeu até a noite de sábado (11), marcou o último dia do evento Vinhos de Portugal, em São Paulo. É curioso que um dos grandes sucessos da feira, da qual participaram 79 produtores e vinhos especialíssimos, tenha sido um drinque de latinha que só no final do mês será lançado no Brasil. Trata-se do Portonic, um ready to drink, nova categoria internacional identificada pela sigla RTD. Produzido pela Taylor’s, foi trazido para a feira na mala do diretor de exportação para a América Latina, Fernando Seixas.

O Portonic é um produto desenvolvido durante a pandemia e reproduz, em latas de 250 ml, um coquetel já consagrado em Portugal e no mundo: vinho do Porto branco seco, com água tônica, limão e hortelã. O cooler com as latinhas geladas teve tanta procura do público desde o primeiro dia, que o produto esgotou. A Taylor’s produz apenas vinho do Porto, é líder mundial e número um no Brasil, onde tem 30% da cota de mercado. É uma empresa portuguesa, fundada em 1692 por uma família inglesa que continua como proprietária.

Apesar de ser destinado aos new millenials, como diz Seixas, que representam uma nova onda de consumidores ávidos por produtos prontos, tem atingido a faixa de 25 a 70 anos desde que entrou no mercado no segundo semestre do ano passado em Portugal, Estados Unidos, Canadá e Reino Unido.

- O Portonic se direciona ao consumo doméstico, na piscina, na praia, no barco, exatamente como a cerveja. Por isso, apostamos muito no Brasil por ser um país tropical, fortemente consumidor de drinques, com um grande mercado, o que nos leva a projetar uma venda de 2 milhões de latas por ano até 2025.

O difícil, ele conta, foi ultrapassar as barreiras da legislação e desenvolver o produto, já que é feito com as mesmas uvas rigorosamente regulamentadas da região do Douro.

- Sabemos engarrafar Porto, mas não sabíamos fazê-lo em coquetel e tivemos que aprender a fazer água tônica sem açúcar. Na verdade, só enlatamos uma coisa que já existia, mas foram dois anos para aperfeiçoar a tecnologia”. O Portonic tem 5,5% de graduação alcoólica o que o faz escapar dos altos tributos cobrados no tradicional Porto, que tem 20% de teor alcoólico. No Brasil custará R$ 20.

Outra novidade do evento foi a participação, em dois talk-shows, da Confraria das Pretas, grupo de reúne homens e mulheres para vivenciar a cultura do vinho de forma inclusiva. A somellière paulistana Silvana Aluá, que fundou a confraria há cinco anos, contou rapidamente que no Brasil o vinho sempre foi colocado num lugar muito elitizado ao qual os negros não tinham acesso.

- Em 2010, quando fiz o primeiro curso no Senac, era a única preta e achavam que eu era bolsista, embora estivesse pagando. Depois, não encontrava emprego e consegui apenas como assistente num empório, porque o dono achava que eu não passaria credibilidade”.

Apesar de satisfeita com o fato de a confraria ter sido convidada a participar do evento, diz que o cenário não mudou.

- Se estou aqui é graças ao movimento negro. Mas quantos pretos você viu nos talk-shows? Quantos havia na sala de degustação?

Seja como for, sua ida e a de Camila Rosa, outra integrante do grupo, que já conta com mais de cem pessoas, representou um primeiro passo.

A nona edição dos Vinhos de Portugal é uma realização dos jornais Público, O Globo e Valor, em parceria com a ViniPortugal, com a participação do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, com o apoio das Comissões Vitivinícolas do Alentejo, Dão, Península de Setúbal e Lisboa, do Festival EA Live, Mozak e Simcauto Veículos, apoio institucional da Coordenação do Bicentenário Independência Brasil — Ministério dos Negócios Estrangeiros — Portugal, local oficial Jockey Club (RJ), local oficial Shopping Cidade Jardim (SP), House of Wine como loja oficial (RJ), rádio oficial CBN e curadoria Out of Paper.

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