Vinhos de Portugal: no aquecimento para o evento, saiba onde encontrar bons rótulos portugueses

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RIO — A primeira coisa que o sommelier Rodrigo Novaes fez ao assumir a função de gestor de vinhos da Adega Santiago, no Rio Design Barra, no início do mês, foi dar um upgrade na carta e incluir novos rótulos portugueses. Segundo ele, havia uma carência de vinhos especiais de regiões ícones de Portugal, como Douro e Alentejo. Assim, opções como Tapada de Coelheiros (R$ 689, o tinto; e R$ 699, o branco), Tapada do Chaves (R$ 499) e Mouchão (R$ 827) agora fazem parte da adega.

— Procuramos trabalhar com vinhos singulares e de pequena produção. Não chegam a ser exclusivos, mas a ideia é servir aqueles que o cliente não vai encontrar em qualquer restaurante. Quando introduzi novos rótulos na carta, tirei o Cartuxa, que é excelente, mas fácil de encontrar — comenta Novaes, que sugere harmonizar espetada do mar na grelha (camarões, lulas e polvos no espeto com rodelas de limão) com o Tapada do Chaves 2018 e arroz de rabada com o Tapada de Coelheiros tinto.

Especializado na gastronomia ibérica, o restaurante conta com 130 rótulos, dos quais cerca de 80 são do país. Ele é um dos diversos espaços na região onde é possível consumir bons vinhos portugueses e aguçar o paladar para a oitava edição do Vinhos de Portugal, evento que, assim como no ano passado, será em formato digital, e terá participação de 65 produtores. A programação, distribuída entre os dias 16, 17, 23 e 24 de outubro, incluirá 17 provas comandadas por críticos e 33 talk shows com convidados renomados, como o chef Claude Troisgros.

Diferentemente do Adega Santiago, no recém-inaugurado Entre Amigos, no CasaShopping, o objetivo é oferecer bons vinhos mais populares. A casa, especializada na gastronomia portuguesa, tem 56 rótulos, dos quais 80% são daquele país. Por lá, são vendidos vinhos do Alentejo, do Douro e da Bairrada, basicamente.

— Como acabamos de abrir, fizemos uma carta enxuta para ir sentindo a procura. Mas o objetivo é ter vinhos com preços justos a um bom custo-benefício — diz o sommelier Eduardo Pacheco.

Entre os rótulos mais populares estão o Villa Rosa Reserva Tinto (R$ 160), com 100% de uvas baga; o Pouca Roupa 2019 Tinto (R$ 161), feito a partir de um assemblage das uvas alicante bouschet e touriga nacional; e o Apaixonado 2015 Tinto (R$ 395), produzido com as uvas tinta amarela, tinta roriz, touriga nacional e touriga franca. As bebidas harmonizam com pratos como bacalhau à Gomes de Sá e arroz de pato.

Surpresas e opções que vão das econômicas às de altas cifras

No Rosita Café, no Downtown, apenas 30 dos 400 rótulos da adega são portugueses. Porém, o vinho mais vendido da casa vem da terrinha: trata-se do Esporão Pé Tinto (R$ 65), da vinícola Herdade do Esporão, referência no Alentejo. Resulta do corte das uvas castelão, moreto e trincadeira e é produzido sem passagem por carvalho, o que preserva seu perfil puro e frutado. O aromas é de frutas vermelhas, com toques herbáceos.

— É um rótulo exclusivo para o Brasil e vendido apenas em restaurante. É produzido numa região de clima quente, tem teor alcoólico mais alto e pouca acidez. Ele harmoniza bem com carne ou uma massa leve. Também pode ser consumido sem que se precise comer nada — explica Pedro Castro Neves, chef, sommelier e sócio do Rosita Café. — O Alentejo é conhecido por produzir vinhos biodinâmicos, orgânicos e sem agrotóxico.

Em seu espaço na Barra, Neves organiza jantares harmonizados para apresentar novidades aos clientes. O último foi em julho, e um dos protagonistas foi o vinho Casal Mendes (R$ 80), um rosé da região Vinho Verde, servido como welcome drink.

— Muita gente acredita que estes vinhos vêm de uvas verdes por causa do nome. E quem entende um pouco mais acha que só existe branco. Foi uma surpresa quando apresentei o rosé. Tinha três caixas com seis garrafas e vendi todas na mesma noite. Estou esperando a nova remessa chegar — diz Neves.

O Casal Mendes rosé é elaborado exclusivamente a partir de uvas do tipo baga e tem aroma frutado.

No Adegão Português, a novidade é a volta do premiado Barca Velha após três anos. A safra é de 2011 e começou a ser comercializada no Brasil no início do ano. Produzido pela Casa Ferreirinha, mistura uvas das zonas mais baixas do Douro Superior com as mais altas, para dar acidez. É um dos vinhos mais icônicos de Portugal, de cor rubi, aromas complexos de especiarias e notas balsâmicas. É, no entanto, para poucos. Por toda a sua singularidade, chega a custar até R$ 11 mil.

Para o dia a dia, o sommelier Henrique Amaral sugere o Monte da Cal Reserva, safra 2017 (R$ 175).

— Agrada muitos aos clientes porque tem acidez equilibrada e harmoniza com pratos tradicionais, como arroz de pato. Mas alguns pedem para comer com bacalhau e até cordeiro — revela Amaral. — Outra opção é o Vinho Verde branco da Adega de Monção (R$ 92), que vai bem com bacalhau misto, servido com molho de camarão, alho-poró, tomate, batatas ao murro e azeite.

No Castelo do Vinho, misto de loja e restaurante em Jacarepaguá, dos cerca de cinco mil rótulos, três mil são portugueses, garante o sócio Fadu Estefam. As garrafas custam entre R$ 39,30 (Dom Dinis) e R$ 5 mil (Vinho do Porto da Casa Ferreirinha de aproximadamente 50 anos). Os mais vendidos são os que custam até R$ 60, como o Cartuxa Vinea e todos os frisantes da linha Casal Garcia, produzidos em Vinho Verde.

— Muitos dos vinhos portugueses que vendemos têm a ver com nosso gosto pessoal. Preferimos os tintos, de sabores fortes, como os do Esporão, Pera Manca, Don Dinis e Cartuxa. São os que bebemos nas comemorações de família — conta Estefam, genro do fundador do Castelo do Vinho, Alípio Ramos, filho de portugueses.

Também se encontram bons portugueses na World Wine. A loja tem opções como Val da Ucha Regional Alentejano (R$ 80), Quinta da Calçada Alvarinho Terroir (R$ 188) e Pessoa Wines Doc Vinho Verde (R$ 90,40).

O ingresso para o Vinhos de Portugal pode ser adquirido em vinhosdeportugal2021.com.br. O evento é realizado pelos jornais O Globo, Público e Valor Econômico em parceria com a Viniportugal, com participação do IVDP, Instituto do Vinho do Douro e do Porto, apoio da Comissão Vitivinícola do Alentejo e da Comissão Vitivinícola de Setúbal, restaurante oficial Bairro do Avillez, projeto da Out of Pape.

SERVIÇO:

ADEGA SANTIAGO:

VillageMall. Telefone: 3900-1605. De segunda a quinta, do meio-dia às 23h; sexta e sábado, do meio-dia à meia-noite; domingo, do meio-dia às 22h.

adegÃO Português:

Rio Design Barra. Telefone: 2431-2958. Aberto diariamente, do meio-dia às 23h.

CASTELO DO VINHO:

Rua Samuel das Neves 376, Pechincha, Jacarepaguá. Telefone: 2424-7700. Aberto de terça a domingo, das 9 às 22h. Segunda, abre das 9 às 18h. Almoço: de terça do domingo, a partir do meio-dia.

ENTRE AMIGOS:

CasaShopping, bloco N, lojas 106 e 107. Telefone: 3030-7418. De segunda a quarta, das 11h às 20h30m; de quinta a sábado, das 11h às 22h; e domingo, das 11h às 18h.

ROSITA CAFÉ:

Downtown, bloco 21, loja 126. Telefone: 3084-5202. De segunda a quinta, das 11h às 23h; sexta e sábado, das 11h à meia-noite; e domingo, das 11h às 18h.W

WORLD WINE:

BarraShopping, Nível Américas, loja 244-E. Telefone: 3129-4226. De segunda a sábado, das 10h às 22h; e domingo, das 13h às 21h.

tasca do filho d’mÃe:

Vogue Square. Telefone: 3030-9080. Domingo e segunda, do meio-dia às 18h; e de terça a sábado, do meio-dia à meia-noite.

MR. LENHA:

Avenida Erico Verissimo 970, lojas C e F. Telefone: 491-1244. De terça a domingo, das 18h à meia-noite. Sexta e sábado, das 18h à 1h.

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