Vinhos de Portugal: sucesso no retorno ao formato presencial e já de olho na décima edição

Terminou no sábado (11), em São Paulo, a nona edição do evento Vinhos de Portugal, que teve uma etapa carioca e outra paulista. Foram seis dias de encontros entre o público brasileiro e produtores, enólogos e especialistas portugueses. Os talk-shows e as degustações juntaram produtores de lá com chefs de cozinha, críticos e sommeliers daqui. Segundo os organizadores, somando os dois estados, o evento recebeu mais de 8.500 pessoas entre atividades pagas e gratuitas.

Teve um pouco de tudo. De drinques em latinha para os millenials a vinhos consagrados de alto preço já com reconhecimento internacional. Parece claro para os produtores que há cada vez mais interesse e conhecimento do público brasileiro com relação ao mundo vinícola.

Vinícius Ruffo, administrador, que trabalha no Shopping Cidade Jardim, deu uma escapada do trabalho e foi pela primeira vez ao evento de que já tinha ouvido falar.

- Vim conhecer rótulos e experimentar os tradicionais - disse ele, que se define como um consumidor frequente e participou de um bate-papo aberto com o sommelier do Fasano Manoel Beato.

O retorno da experiência presencial foi determinante, na opinião do presidente da ViniPortugal, Frederico Falcão.

- Hoje, além de pessoas dos dois estados, temos quem vem outras cidades brasileiras atraídas por um glamour que transcende a experiência do vinho.

Para o Master of Wine Dirceu Vianna Junior, que conduziu várias provas, o fato delas terem sido realizadas numa sala de cinema foi uma experiência “das mais impactantes”. Especialmente porque a sala do Cinemark era daquelas com cadeiras anatômicas, super estofadas com temperatura e altura reguláveis.

- A sala de cinema não é o ideal, mas foi um sucesso por ser extremamente aconchegante e confortável. Então, nesse sentido foi interessante. Às vezes precisamos experimentar coisas novas para subverter modelos.

Vianna Junior também observou que o salão de produtores deveria ter mais espaço, especialmente numa época em que as pessoas são temerárias ao contato físico próximo.

- Essas são as dores do crescimento, fazem parte do aprendizado. É preciso ouvi-las e dar o próximo passo no ano seguinte. Para mim, o maior desafio, agora, é começar a pensar em temas e títulos de provas para fazer a décima edição a melhor de todas”.

Um ponto alto do encontro aconteceu em São Paulo, quando os dois enólogos mais carismáticos de Portugal dividiram o palco na prova “A arte de fazer vinhos inesquecíveis”. Luís Sottomayor, que faz o Barca Velha no Douro, e Pedro Baptista, responsável pela elaboração do alentejano Pêra Manca, falaram de outros dois vinhos que criaram: o Tapada do Chaves (Alentejo) e o Legado (Douro).

Uma das dificuldades, disse Baptista, é saber fazer a colheita na hora certa, já que esses vinhos são produtos de vinhas velhas, onde as castas são plantadas todas misturadas e com tempos de maturação diferente.

- É uma lição permanente de humildade, porque às vezes pensamos que estamos fazendo nosso trabalho bem feito e a mãe natureza nos diz que não.

Sottomayor acrescentou que seu vinho, o Legado, não é perfeito, mas que tem personalidade.

- Os bons vinhos são coisas simples. Às vezes erramos e aprendemos com os erros.

Uma questão que permeou o evento foi a da sustentabilidade. No Alentejo existe um projeto pioneiro, implantado em 2015, que abarca aspectos econômicos, ambientais e sociais. Nesse período houve uma redução de 30% no consumo de eletricidade e 20% no de água.

- Havia produtores que gastavam 14 litros de água para produzir um litro de vinho e que agora gastam cinco - diz Tiago Caravana, responsável pelo marketing dos Vinhos do Alentejo.

O programa foi inspirado na Califórnia e atualmente partilha conhecimento com outras áreas vinícolas demarcadas em Portugal. No Alentejo, 80 produtores exportam para o Brasil e no primeiro trimestre deste ano houve um crescimento expressivo: 24% em valor e 36% em volume com relação ao ano anterior.

A nona edição dos Vinhos de Portugal é uma realização dos jornais “Público”, “O Globo” e Valor, em parceria com a ViniPortugal, com a participação do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, com o apoio das Comissões Vitivinícolas do Alentejo, Dão, Península de Setúbal e Lisboa, do Festival EA Live, Mozak e Simcauto Veículos, apoio institucional da Coordenação do Bicentenário Independência Brasil — Ministério dos Negócios Estrangeiros — Portugal, local oficial Jockey Club (RJ), local oficial Shopping Cidade Jardim (SP), House of Wine como loja oficial (RJ), rádio oficial CBN e curadoria Out of Paper.

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