Vini Jr assume protagonismo do Brasil na Copa do Mundo e impressiona por maturidade técnica

Chegou o dia em que o menino sonhador de São Gonçalo, criado no Flamengo, pediu passagem como protagonista da seleção brasileira em uma Copa do Mundo. Aos 22 anos, Vini Jr foi o jogador mais decisivo da vitória do Brasil sobre a Coreia do Sul, com um gol e uma assistência. E ainda encantou com jogadas e dribles que traduzem a essência do nosso futebol. Com todas as atenções voltadas para o retorno de Neymar, eleito o melhor em campo, a atuação de Vini talvez não tenha sido devidamente reconhecida, mas já entrou para a história. Ao menos a sua.

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O mundo vê, através de uma lente de aumento, a maturação final de uma joia lapidada nos últimos anos para ser a mistura de força e inteligência que o futebol moderno exige. Se no Real Madrid houve a consolidação desse processo, que culminou com um título de Liga dos Campeões, o Mundial do Catar era a prova que faltava na lista do atacante. Após abrir o caminho da classificação brasileira para as quartas de final, Vini Jr teve resgatado nas redes uma postagem que fez antes do título europeu, em que projetava para si mesmo esse e outros sonhos, como ganhar uma Copa e fazer todos os brasileiros torcerem por ele.

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Participativo

Pois é possível dizer que hoje é no camisa 20 que estão reunidas as maiores esperanças. Somado o passe para Richarlison na estreia, são três participações em gols em três jogos. Mas o que mais chamou atenção na última apresentação do jogador no estádio 974 foi o elemento técnico no gol que Vini marcou.

Em outros tempos, não se poderia imaginar o atacante tendo um domínio da bola dentro da área com tamanha precisão e tranquilidade para encaixar o corpo para uma finalização perfeita. Ou então, o entendimento do movimento dos companheiros para notar a chegada de Paquetá por último para receber um passe para trás e confundir a linha defensiva.

- A gente conversou ali, gratificante viver isso junto, tudo que a gente sempre sonhou. Conheço muito o estilo do Vini. Quando ele deu aquela travada, sabia que ia me ver chegando na área - afirmou Paquetá.

Sem clubismo

Antes de marcar o seu gol, Vini Jr recebe a bola que veio do lado oposto, domina com o pé direito, e com o mesmo pé espera milésimos de segundo antes de fazer um toque por cima, que vence dois marcadores, o goleiro, e ainda encobre um coreano debaixo da trave.

- Essa equipe tem ousadia ofensiva, ousadia de finta, de lance individual, impressionante. Essa geração foi trabalhada por uma série de profissionais na base. Gosto de citar o Amadeu, fez parte da construção do Vini. Eles trabalharam na base para a formação desses atletas, inclusive a formação moral - destacou Tite.

A polarização clubista que ainda marcava o jogador quando foi vendido pelo Flamengo em 2017 hoje é uma memória perdida. Jogador do Brasil com os maiores contratos publicitários, Vini se transformou em uma marca global. Tanto que acionou a Nike na Justiça para romper o contrato por entender que recebe um tratamento aquém do ideal. As chuteiras com que conduziu o Brasil à vitória ainda são de modelo obsoleto.

O futebol, o carisma e a personalidade do atacante, por outro lado, estão em dia. Além da objetividade nas jogadas e nos gols, Vini Jr não esqueceu o talento. Em jogada pela lateral do campo, demonstrou toda a categoria com um chapéu seco no marcador, para assinar a atuação de gala.