Vinicius Poit critica STF, prega fim da era PSDB em SP e defende privatizações

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Vinicius Poit critica STF, prega fim da era PSDB em SP e defende privatizações
***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL 07.12.2019 - Vinicius Poit (deputado federal). (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O pré-candidato do partido Novo ao Governo de São Paulo, deputado federal Vinicius Poit, criticou o STF (Supremo Tribunal Federal), pregou a saída do PSDB do comando do estado e defendeu a privatização de empresas como a Sabesp durante sabatina realizada por Folha de S.Paulo e UOL, nesta quarta-feira (4).

Com uma plataforma liberal na pré-campanha ao Palácio dos Bandeirantes e um discurso em prol da retomada do diálogo na política, Poit disse discordar da postura do STF no caso que culminou com a condenação do colega de Câmara dos Deputados Daniel Silveira (PTB-RJ).

Para o representante do Novo, a perda do mandato de Silveira "de maneira alguma deve ser uma decisão do STF" e é preciso manter o equilíbrio entre os Poderes, com "um controlando um pouco o outro". Ele defende que a discussão sobre a cassação cabe unicamente à Câmara.

"O STF está passando do limite no poder dele. [...] A gente tem que ser mais duro. O STF desrespeita as instituições, avança numa seara que não é a dele, onde acusa, julga e faz tudo ao mesmo tempo", afirmou, ressalvando que pessoalmente acredita que Silveira "tinha que estar fora" da Câmara.

"Eu não acho que ele respeita o decoro parlamentar, que ele dá o bom exemplo como político", prosseguiu ele, que se declara um defensor da liberdade de expressão.

Poit fez reiteradas críticas à perpetuação do PSDB no governo paulista, lembrando que "o estado está há 30 anos com o mesmo partido". "A gente não vai ter resultados diferentes fazendo sempre da mesma forma", disse ele, que deve disputar a cadeira de governador pela primeira vez.

O pré-candidato reclamou da política de privatizações prometida pelo ex-governador João Doria (PSDB), considerada por ele lenta no caso de empresas como a Sabesp. "A coragem para enfrentar o tema das concessões e privatizações nunca existiu no Governo de São Paulo", afirmou.

"Tem que tirar a privatização da Sabesp do papel. É uma geradora de caixa para manter o mesmo partido que está no poder há 30 anos. Não adianta gerar caixa para o governo guardar o dinheiro para fazer obra eleitoreira no final do mandato. Não é para isso que serve a Sabesp."

E continuou: "Fica lá o governo fazendo caixa, se mantendo no poder, [e ao mesmo tempo] problemas de saneamento enormes. A gente tem que caminhar com a privatização da Sabesp o quanto antes".

Poit disse ainda que o estado "ainda tem muito problema de saneamento" e que a companhia local poderia ser mais eficiente. "Ela serve para deixar o governo rico, e a população continua pobre e perdendo os empregos."

Segundo ele, a transferência de serviços públicos para a iniciativa privada trava no país porque ameaça "feudos" da classe política.

O deputado federal afirmou ainda que, caso saia vitorioso em outubro, deve se espelhar em medidas adotadas pelo primeiro governador eleito por seu partido, Romeu Zema, em Minas Gerais. Uma das ações que ele deve copiar deve ser a redução no número de secretarias.

Poit não se aprofundou na questão do racha na legenda provocado por integrantes simpáticos a Jair Bolsonaro (PL), mas disse que "de maneira alguma o Novo é um partido bolsonarista" e que projetos do governo foram apoiados pela sigla não em função do presidente, mas das pautas.

"O nosso partido pode ter conflitos, [mas] aprende com eles", afirmou em outro momento, ao comentar as divisões internas sobre ser ou não oposição a Bolsonaro e também conflitos que marcaram a trajetória de sete anos do partido. "É focar no que nos une, e não no que nos separa", pontuou.

Ele preferiu destacar o fato de a agremiação abrir mão das verbas do fundo eleitoral e disse que "no Novo não tem ladrão, não tem ninguém com tornozeleira, não tem corrupto, só tem ficha limpa".

O pré-candidato evitou responder sua opinião sobre a cassação do ex-deputado estadual Arthur do Val, o Mamãe Falei (União Brasil-SP), que renunciou após o escândalo das falas machistas sobre mulheres ucranianas vítimas da guerra, mas afirmou repudiar "totalmente as falas e a atitude dele".

Em março, quando Arthur retirou sua pré-candidatura ao governo estadual pelo Podemos, Poit afirmou que poderia herdar parte do eleitorado propenso a votar no outro postulante, já que ambos encampavam uma agenda liberal e dialogavam com uma faixa da população semelhante.

"O MBL teve um papel importantíssimo na mobilização do impeachment [da presidente Dilma Rousseff] lá atrás, na mobilização dos jovens", avaliou, em referência ao Movimento Brasil Livre, de onde surgiu Arthur.

Em estocada a Doria —que deixou o cargo no mês passado e deixou o governo nas mãos do vice, Rodrigo Garcia (PSDB), pré-candidato à reeleição—, Poit afirmou que a gestão tucana "prometeu, e não melhorou a remuneração" dos policiais.

"Para começar, gente tem que melhorar a remuneração do policial, melhorar o treinamento contínuo, capacitação psicológica, deixá-lo ainda mais preparado, e aumentar o efetivo."

O parlamentar disse que os recursos seriam provenientes "de onde o Estado gasta mal, o Estado que está aí há 30 anos com o mesmo partido, 27 secretarias, um monte de estatais, cheio de privilégios".

"A gente vai cortar no Estado, para sobrar dinheiro para quem precisa", completou.

Outra referência negativa a Doria foi feita por ele ao recordar o montante de emendas pagas pelo tucano, publicado pela Folha de S.Paulo em 2021, com a revelação de que os pagamentos pecavam em transparência. Poit comparou a situação ao orçamento secreto do governo Bolsonaro.

Também fez reparos à condução da crise provocada pela pandemia de Covid-19, citando falhas de diálogo e a ausência de política de restrições distinta para cidades maiores e menores.

Poit se disse a favor do uso de câmeras nas fardas da PM da maneira como é hoje e afirmou que a perda de privacidade dos agentes, apontada por pré-candidatos como Márcio França (PSB), não é justificativa, já que o equipamento poderia ser desligado quando o policial, por exemplo, vai ao banheiro.

"Há mecanismos para preservar a privacidade. Perguntei a policiais e eles me contaram que podem desligar quando têm uma situação privada", disse o membro do Novo.

"A segurança pública no estado claramente não está dando certo. A sensação de insegurança é gigantesca", descreveu.

Em meio à onda de furtos e roubos praticados por falsos entregadores na capital e que levou a gestão Garcia a desencadear uma megaoperação, o pré-candidato sugeriu que policiais à paisana sejam usados como "isca" e, caso sejam alvos de criminosos, reajam.

"Eu defendo, inclusive, o seguinte: policiais na rua disfarçados de cidadão que está ali na calçada ao mexer no celular, e aí vamos ver se esse bandido que quiser assaltar esse policial ele vai ter uma surpresa, né, possivelmente negativa para ele", afirmou.

​​Poit se declarou favorável a cotas sociais transitórias, à concessão de parques públicos à iniciativa privada, à privatização de presídios, à cobrança de mensalidade em universidades públicas para quem pode pagar, às operações policiais na cracolândia e à posse e porte de armas por cidadãos comuns.

Por outro lado, ele se disse contrário à legalização do aborto, à descriminalização da maconha, ao aumento de tarifas do transporte público e também à inspeção veicular em todo o estado.

A sabatina foi conduzida pelo apresentador Diego Sarza, pelo colunista do UOL Leonardo Sakamoto e pela jornalista da Folha de S.Paulo Carolina Linhares.​

RAIO-X

Vinicius Lazzer Poit, 36

Graduado em administração de empresas pela FGV, fez carreira no setor privado até entrar para a política. Militou pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e foi aluno do RenovaBR, entidade privada que prepara candidatos. Em 2018, em sua primeira campanha eleitoral, elegeu-se deputado federal pelo Novo e foi o 12º candidato mais votado no estado, com uma plataforma que incluía combate a privilégios, defesa do liberalismo e promoção de reformas. Foi líder do partido na Câmara dos Deputados e coordenador da bancada federal paulista. Atuou como relator do Marco Legal das Startups e em outras pautas ligadas a empreendedorismo, inovação, privatização e desburocratização. É pré-candidato do Novo ao Governo de São Paulo.

CONFIRA AS DATAS DAS SABATINAS E DOS DEBATES

Sabatinas presidenciais​

2º turno - de 10 a 14/10

Debates presidenciais

2º turno - 13/10, às 10h

Debate com candidatos à Vice-Presidência

1º turno - 29/9, às 10h

Debate com candidatos ao Senado

1º turno - 27/9, às 10h

Sabatinas com pré-candidatos ao Governo de SP

Tarcísio de Freitas (Republicanos) - 5/5 - 10h

Gabriel Colombo (PCB) - 5/5 - 16h

Altino Junior (PSTU) - 6/5 - 10h

Fernando Haddad (PT) - 6/5 - 16h

2º turno - de 17 a 21/10

Sabatinas confirmadas em MG

Lorene Figueiredo (PSOL) - 9/5 - 10h

Miguel Corrêa (PDT) - 11/5 - 10h

Alexandre Kalil (PSD) - 12/5 - 10h

Carlos Viana (PL) - 13/5 - 10h

Romeu Zema (Novo) não aceitou o convite

Sabatinas confirmadas no RJ

Felipe Santa Cruz (PSD) - 16/5 - 10h

Rodrigo Neves (PDT) 18/5 - 10h

Anthony Garotinho (União Brasil) - 18/5 - 16h

Marcelo Freixo (PSB) - 20/5 - 10h

*Cláudio Castro (PL) ainda não respondeu ao convite

Demais sabatinas

Semana de 23/5 - BA

Semana de 30/5 - PR

Semana de 06/6 - RS

Semana de 13/6 - PE

Semana de 20/6 - CE

Debates com candidatos ao Governo de SP

1º turno - 19/9, às 10h

2º turno - 20/10, às 10h​

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