Vinte órfãos de pais ligados ao EI na Síria são entregues à Rússia

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Uma mulher caminha com uma criança no campo de al-Hol administrado pelos curdos, que mantém parentes de supostos combatentes do grupo Estado Islâmico (EI), na província de Hasakeh, no nordeste da Síria, em 23 de junho de 2021

As autoridades curdas no nordeste da Síria entregaram, neste sábado (3), a uma delegação da Rússia 20 órfãos que perderam seus pais filiados ao grupo extremista Estado Islâmico (EI), observou um correspondente da AFP no local.

Desde que proclamaram, em março de 2019, a queda do "califado" do EI na Síria, os curdos pedem a repatriação de milhares de mulheres estrangeiras e filhos de extremistas islâmicos que são mantidos em campos superlotados.

Neste sábado, "20 crianças de nacionalidade russa, que estavam no campo de Roj", foram entregues a uma delegação de seu país, anunciou à AFP o serviço de comunicação do departamento de Relações Exteriores da administração semi-autônoma curda.

"São todos órfãos, têm entre três e 16 anos e estão com boa saúde", disse a mesma fonte, acrescentando que mais de 200 cidadãos russos já foram repatriados graças à coordenação com Moscou.

Um correspondente da AFP em Qamichli (nordeste) assistiu ao encontro organizado na sede do departamento de Relações Exteriores para entregar as crianças à delegação russa.

A Rússia e o Uzbequistão estão entre os principais países a cooperar com os curdos para repatriar seus cidadãos.

Em abril, Moscou repatriou 34 órfãos que perderam seus pais.

Apesar dos reiterados apelos feitos pelos curdos, a maioria dos países, especialmente os europeus, reluta em aceitar de volta seus cidadãos. Alguns, principalmente a França, repatriaram um número limitado de crianças, incluindo órfãos.

Esta semana, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) advertiu sobre a prisão "de centenas de crianças, a maioria meninos, alguns com apenas 12 anos".

Reconhecendo a detenção de menores, as autoridades curdas enfatizam a necessidade de criar cerca de quinze centros de reabilitação para essas crianças, mas condenam a inação da comunidade internacional e sua falta de cooperação.

E, na sexta-feira, a comissária de direitos humanos do Conselho da Europa pediu aos países-membros desta organização para repatriarem seus cidadãos detidos em acampamentos no nordeste da Síria, em condições contrárias ao direito humanitário europeu.

Os cidadãos dos países signatários do Convênio Europeu de Direitos Humanos "detidos nesses acampamentos estão submetidos à jurisdição desses Estados", afirmou Dunja Mijatovic, em observações transmitidas ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH).

O tribunal deve analisar em setembro os casos de jovens que se uniram à organização extremista Estado Islâmico (EI) e que agora estão detidas com seus filhos na Síria. A decisão será adotada vários meses depois.

A guerra na Síria, que começou em 2011, tornou-se mais complexa ao longo dos anos com o envolvimento de potências estrangeiras e um aumento de facções armadas e grupos islamitas.

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