Vinte e um prédios já foram interditados em Rio das Pedras após tragédia com dois mortos, diz prefeitura

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Desde a tragédia do início do mês de junho, quando um pai e sua filha morreram após o prédio em que viviam com a família ter desmoronado, em Rio das Pedras, na Zona Oeste, a prefeitura afirma que a Defesa Civil municipal já realizou 39 vistorias na comunidade, tendo interditado 21 construções — uma média de pouco mais de um por dia. Na Rua das Uvas, onde a moradia veio abaixo, um prédio vizinho também foi demolido e dois andares de outro foram destruídos. Ao todo, segundo o município, 34 famílias que ficaram desalojadas procuraram a Secretaria de Assistência Municipal desde o dia 3 de junho e são acompanhadas. No entanto, como muitos moradores acabam indo para a casa de parentes que vivem na própria comunidade, o número de moradores que tiveram que se deslocar tende a ser bem maior.

Nesta segunda-feira, o prefeito Eduardo Paes revelou que encomendou um estudo de habitação em toda a área da comunidade e revelou que um outro levantamento — ainda não divulgado —, especificamente na Muzema — favela vizinha e que também foi cenário de uma tragédia há dois anos, com 27 mortos —, mostrou que a situação por lá é preocupante, "como é público e notável".

— Temos um levantamento (sobre a Muzema), e muito desse levantamento é fruto de ações movidas pelo Ministério Público. Claro que há uma situação já estabelecida, o que torna tudo mais difícil, mas tem situações ali que a gente vai poder agir em breve — disse Paes nesta segunda-feira. — (O levantamento) aponta que há muita irregularidade, como já é público e notório. Nós estamos juntando decisões judiciais e levantamentos da Geo-Rio para decidirmos os próximos passos.

E a situação é reconhecida por quem vive na comunidade. À reportagem, um morador de Rio das Pedras, que por questões de segurança prefere não se identificar, diz que os paramilitares tem apostado em construções cada vez mais ousadas e perigosas, e que tem esperança que a tragédia que aconteceu no dia 3 de junho possa abrir os olhos das autoridades.

— É uma boa oportunidade para fazer uma boa limpeza em Rio das Pedras, o que eles (prefeitura) vinham adiando nos últimos anos. Está tudo uma vergonha. Eles (milicianos) fazem laje em cima de tijolo, com coluna só nas laterais, e puxam laje para frente. Com o tempo, tendência é aquilo arriar, ainda mais nesse terreno como é. Não é brincadeira, não. A prefeitura não pode falar em acabar com o braço financeiro da milícia deixando ela progredir. Não é só caso de polícia, não, é caso de infraestrutura, de ação social. Do jeito que está, está um bagunça — disse o morador.

Desde o início de janeiro, a prefeitura, através da Secretaria Municipal de Conservação, afirma que já demoliu, ao todo, mais de 300 construções irregulares no município, sendo 281 considerados "ilegalizáveis" e o restante imóveis condenados pela Defesa Civil. Dados da Secretaria de Meio Ambiente, por sua vez, mostram que o município demoliu pelo menos 73 construções em áreas ambientais protegidas. A grande maioria das áreas exploradas fica na Zona Oeste do Rio, em territórios explorados por milícias..

— A Baixada de Jacarepaguá é uma área sempre de muita cobiça por essa indústria da ocupação irregular. Recreio, Vargens (Grande e Pequena), Barra da Tijuca, Itanhangá, Jacarepaguá, pela própria característica daquela região pela valorização imobiliária, junto com a Zona Oeste como um todo, são as áreas que eles mais procuram — disse Eduardo Paes na última segunda-feira.

No início da semana, o prefeito, ao lado do procurador-geral de Justiça do Rio, Luciano Mattos, assinou um termo de cooperação junto ao Ministério Público que facilita e agiliza a troca de informações entre prefeitura e MP estadual no combate às construções irregulares no Rio.

— A ideia deste termo de cooperação com o Ministério Público é de que a gente possa ter um fluxo de informação a partir das informações da prefeitura. Foi uma solicitação feita pelo Dr. Luciano (Mattos, procurador-geral de Justiça do RJ) há cerca de duas semanas, para que a gente pudesse estar permanentemente informando ao MP o máximo possível sobre quem são os elementos que estão construindo, e em que circunstâncias encontramos. A prefeitura vai continuar agindo, mas tenho certeza que agora de forma mais efetiva ao organizar suas informações e passar ao MP, que tem o papel, óbvio, de investigar, cobrar das forças policiais ações efetivas para que aqueles que cometem esse tipo de delito na cidade possam ser responsabilizados. Vão continuar tomando prejuízo, mas agora temos uma nova fase, eles também vão receber a devida punição, pagar pelos seus crimes — explicou Paes.

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