Violência doméstica: como a vítima pode identificar e romper o ciclo de abusos e agressões

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No último domingo, a arquiteta e influenciadora Pamela Holanda usou as redes sociais para denunciar a violência que sofria do ex-companheiro, o DJ Ivis, uma das estrelas do forró eletrônico. Em vídeos registrados pelas câmeras de segurança, ela é agredida com tapas, socos e chutes. Com repercussão nacional, o caso deu espaço a um alerta diário às mulheres: como reconhecer e romper o ciclo da violência doméstica.

De acordo com os últimos dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ao longo de 2020, foram realizadas 694.131 ligações ao 190 para denunciar ocorrências de violência doméstica no Brasil. Isso significa que o país registrou mais de um chamado por minuto para denunciar violências cometidas contra mulheres em suas próprias casas.

O Instituto Maria da Penha (IMP) aponta que quem é vítima passa muito tempo suportando a situação para assegurar sua própria proteção e a de seus filhos. As mulheres ficam ao lado dos agressores por medo, vergonha ou falta de recursos financeiros, sempre esperando que a violência acabe, e nunca para mantê-la.

A psicóloga clínica Mariana Luz explica que a violência doméstica se comporta em um ciclo de três fases que tende a se repetir e se agravar. Ele se inicia com um acúmulo de tensão, no qual o agressor se mostra irritado por coisas insignificantes, chegando a ter acessos de raiva. O período seguinte é o ato concreto da violência. Já a última fase é conhecida como “lua de mel”, momento em que o agressor pede desculpas e se mostra arrependido. E, então, o ciclo recomeça.

— Com o tempo, os intervalos entre uma fase e outra ficam menores, e as agressões passam a acontecer sem obedecer à ordem das fases. Em alguns casos, o ciclo da violência termina com o feminicídio — explica Mariana.

Cinco tipos de violência

O IMP expõe ainda que existem cinco tipos de violência, sendo a física apenas uma delas. As demais consistem em violações psicológica, moral, sexual e patrimonial — este último acontece, por exemplo, quando o companheiro quer causar danos propositais a objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais ou bens da mulher.

Contudo, reconhecer que sofre violência dentro da própria casa não é fácil e pode requerer ajuda de pessoas que convivem com a vítima. Segundo a psicóloga Marinalva Callegario, especialista em psicanálise clínica, se a agressão acontece de forma recorrente, é provável que a vítima esteja vivendo a Síndrome do Desamparo Aprendido, em que a mulher acredita que não pode mais viver sem o parceiro e acaba normalizando a situação:

— O ditado popular que diz “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher” é errado. Quando há agressão e quem está de fora não faz nada para socorrer a mulher, de certa forma está sendo conivente com o agressor. É preciso tentar abrir os olhos dela.

Marinalva explica que o rompimento do ciclo de violência doméstica deve ser feito em duas etapas: primeiro, a denúncia, através das Delegacias de Atendimento à Mulher, e depois a busca do cuidado emocional, para tratar os traumas desencadeados.

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