Violência e chuva atrasaram inauguração do Hospital de Campanha de São Gonçalo, diz Iabas

Diego Amorim e Rafael Nascimento de Souza
Nesta segunda-feira, operários trabalham nas obras

RIO - Em documento enviado à Secretaria estadual de Saúde do Rio, o Iabas, gestor do Hospital de Campanha de Sao Gonçalo e de outras seis unidades emergenciais no estado, aponta a criminalidade e a violência como motivos de atraso para a inauguração da unidade. Previsto para inaugurar no último domingo, o local não tem data para começar a receber pacientes com Covid-19 no Rio. Segundo o Iabas, as últimas chuvas e a necessidade de pavimentação também causaram o novo atraso.

Na última sexta feira, ainda de acordo com o ofício, o superintendente do instituto, Hélcio Watanabe, precisou ficar abaixado durante uma hora e meia por causa de um tiroteio na região. O Iabas destaca que houve outros episódios semelhantes e que os fatos chegaram ao conhecimento dos médicos, "gerando insegurança e, inclusive, acarretando na desistência da prestação do serviço por parte de alguns profissionais".

O instituto ressalta também que dentro da unidade existem diversos itens de valor elevados, como medicamentos, respiradores e monitores, que merecem "a devida e irrestrita proteção e segurança". Por isso, encaminhou o pedido para que a secretaria acione a PM para reforçar o policiamento ostensivo nas proximidades e no trajeto. As duas comunidades mais próximas ao hospital, localizado no Centro de São Gonçalo, são Menino de Deus e Chumbada. As duas ficam a cerca de 1 km da unidade.

Além disso, os ofícios apontam também que a data entrega do hospital de campanha de São Gonçalo sofreu um atraso, em virtude das chuvas dos últimos dias, o que impossibilitou a conclusão das obras da rede de esgoto e tornou inviável o acesso de caminhões que levariam materiais para equipar o centro médico. Imagens divulgadas pelo próprio Iabas mostram o terreno no entorno do hospital coberto de lama.

Os documentos, datados de sábado e domingo, são assinados pelo diretor jurídico João Carlos dos Santos Sena, e foram encaminhados ao subsecretário estadual de Saúde do Rio, Iran Pires Aguiar. Já o laudo e relatório fotográfico tem assinatura do engenheiro civil Alexandro de Souza Diuana Oilveira, da área de infraestrutura.

De acordo com o Iabas, nove caminhões de brita corrida foram encomendados na última sexta-feira para pavimentar todo o entorno, "haja vista que, até o momento, a obra não foi executada pela prefeitura". Em nota, a prefeitura explica que "em nenhum momento recebeu projeto e solicitação para pavimentação do espaço, e que toda obra é de responsabilidade do governo estadual, sem interferência do município."

Procuradas, a Secretaria estadual de Saúde e a Polícia Militar ainda não responderam.