Violência policial bate recorde em 2020 e atinge maioria negra e jovem

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A letalidade policial bateu recorde no país mesmo em meio à pandemia da Covid-19. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número de pessoas mortas pela polícia em 2020 foi o maior da série histórica, cujos dados são compilados desde 2013.

Ao todo, 6.416 pessoas foram mortas pelas polícias Civil e Militar, por agentes de folga ou em serviço. O aumento foi de 1% ante 2019, quando houve 6351 registros. O levantamento chama atenção para o fato de que os negros foram as principais vítimas das forças de segurança: respondem por 78,9% das mortes. Além disso, a maioria dos mortos por policiais são jovens de 12 a 29 anos (76,2%) e homens (98,4%).Os dados foram divulgados nesta quinta-feira no 15º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

"Fica evidente que a segurança pública é um dos campos fundamentais de atuação – social e estatal – para que sejam corrigidas as desigualdades raciais que mais vulnerabilizam os negros no Brasil", dizem os pesquisadores do anuário.

Se comparado com 2013, quando houve 2212 registros, o crescimento nas mortes por policiais quase sextuplicou no Brasil. No entanto, o Anuário pondera que é preciso considerar que houve aumento da transparência dessas informações nos últimos anos.

Segundo o estudo, 50 cidades concentram mais da metade das mortes cometidas por policiais no ano passado. A lista de cidades com mais violência policial inclui capitais de 16 estados (AC, AL, AM, AP, BA, CE, GO, MA, MT, PA, PI, PR, RJ, RN, SE e SP), além de outros municípios menores.

O Rio aparece como destaque negativo com 15 municípios nessa lista. De acordo com os dados, são sete entre as primeiras 10 cidades com mais de 100 mil habitantes e com as mais altas taxas de letalidade policial: Japeri, Itaguaí, Angra dos Reis, São Gonçalo, Queimados, Mesquita e Belford Roxo. São Paulo e Bahia tem 7 cidades cada nesta estatística e o Pará outras cinco.

Por outro lado, o Rio teve a maior queda no número absoluto de mortes: de 1.814 vítimas, em 2019, para 1.245, no ano passado. Em junho do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) mandou suspender as operações durante a pandemia. De acordo com o Fórum, a queda no número de vítimas coincide com o período após a decisão da corte.

Se considerado um recorte entre os estados, o Amapá teve a maior taxa de letalidade policial: 13 mortos a cada 100 mil.

Ainda de acordo com o anuário, a pandemia matou mais policiais do que qualquer outra causa. Foram 472 vítimas da Covid-19 nas forças de segurança, ante 194 registros de policiais assassinados.

Durante a divulgação do estudo, o diretor do Fórum Brasileiro de Segurança, Renato Sérgio de Lima, voltou a externar sua preocupação com as políticas do governo do presidente Jair Bolsonaro para flexibilizar e facilitar o acesso à armas, o que, em sua visão, favorece à violência.

Lima classificou as ações do governo nessa área como "liberou geral". A gestão Bolsonaro, por sua vez, costuma alegar que suas medidas atendem a liberdade e o exercício dos direitos dos indivídeuos, além de "desburocratizar" o acesso às armas.

O diretor do fórum alertou para os efeitos concretos dessas medidas, como o aumento de 108% nas autorizações de importações de armas de fogo de cano longo, o que inclui fuzis, por exemplo.

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