Violência policial esquenta reta final da campanha para eleições legislativas na França

A cinco dias do primeiro turno das eleições legislativas na França, o tema da violência policial faz uma irrupção barulhenta na campanha. Em um intervalo de poucas semanas, três pessoas morreram em Paris atingidas por disparos de policiais que usaram suas armas em controles de trânsito. Políticos de esquerda e de direita trocam acusações sobre supostos abusos dos agentes e uma doutrina persistente de uso da força endossada pelo atual governo.

No último sábado (3), um grupo de três policiais — dois homens e uma mulher — que circulavam de bicicleta no movimentado bairro de Montmartre (18° distrito de Paris) abriram fogo contra um carro, cujo motorista desobedeceu à ordem de parar, depois de ser visto sem o cinto de segurança.

Havia quatro pessoas no veículo. Na fuga, o carro teria entrado na contramão de uma rua e ficado bloqueado num cruzamento, segundo os passageiros que estavam no banco traseiro.

Os policiais efetuaram nove disparos contra o carro, alegando que o motorista teria tentado atropelar os agentes antes de fugir. A patrulha evocou uma situação de legítima defesa. O motorista ficou gravemente ferido e uma mulher de 22 anos, que estava no banco dianteiro de passageiros, morreu depois de ser baleada na cabeça. Ela chegou a ser hospitalizada, mas não resistiu aos ferimentos.

Testemunhas discordam da versão apresentada pelos agentes. Dizem que o motorista do carro não tentou fugir em alta velocidade.

Após 48 horas de interrogatório, os três policiais envolvidos no incidente de sábado, em Montmartre, foram liberados sem acusações. A justiça abriu duas investigações.

O ministro do Interior, Gérald Darmanin, rebate, dizendo que "insultar" os policiais "desonra quem deseja governar".

RFI e AFP


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