Violência na República Democrática do Congo forçou o êxodo de 200.000 pessoas

Nesta foto de 13 de março de 2020, soldados marroquinos da missão da ONU na RDC (Monusco) patrulham o território de Djugu, devastado pela violência, na província de Ituri

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) alertou nesta sexta-feira para a escalada da violência em Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo, que forçou 200 mil pessoas ao êxodo desde o mês de março.

"O ACNUR continua alarmado com o atual surto de ataques violentos contra populações locais na província de Ituri, na República Democrática do Congo (RDC), onde mais de 200.000 pessoas foram forçadas a deixar suas casas nos últimos dois meses", declarou Charlie Yaxley, porta-voz da agência, durante uma conferência virtual.

"O ACNUR pede a todas as partes envolvidas no conflito que respeitem a vida dos civis e o trabalho humanitário. Cinco milhões de pessoas foram desenraizadas na RDC, incluindo 1,2 milhão na província de Ituri", afirmou.

Em Ituri, soldados do exército regular combatem o grupo armado Codeco. Este último afirma defender os interesses da comunidade Lendu (agricultores), contra outra comunidade, Hema (criadores e comerciantes).

Mais de 700 civis foram mortos nessa onda de violência desde dezembro de 2017, de acordo com as Nações Unidas, que falam de um possível "crime contra a humanidade".

A violência aumentou desde o lançamento, em dezembro de 2019, de uma operação militar sob o comando das forças do governo contra vários grupos armados na província.

E a escalada se acentuou ainda mais em meados de março com contra-ofensivas lideradas por esses mesmos grupos.

O ACNUR e seus parceiros indicam que identificou mais de 3.000 "violações graves de direitos humanos" no território de Djugu nos últimos dois meses, com pelo menos 50 ataques por dia contra as populações locais.

As pessoas deslocadas denunciaram atos de "violência extrema", que fizeram pelo menos 274 mortos, segundo Charlie Yaxley.

"Mais de 140 mulheres foram estupradas e quase 8.000 casas incendiadas", acrescentou.

"A grande maioria dos deslocados são mulheres e crianças, muitas das quais estão abrigadas na casa de famílias. Outros dormem na rua ou em edifícios públicos, como escolas, fechadas devido à pandemia de COVID-19", explicou.

O ACNUR também está preocupado com a falta de acesso das organizações humanitárias às populações locais nos territórios de Djugu e Mahagi, assim como com a ameaça de escassez de alimentos.

"A falta de recursos financeiros também afeta nossa capacidade de atender às necessidades básicas das populações deslocadas. Nosso apelo por doações para arrecadar US$ 154 milhões em benefício da RDC atingiu apenas 18% da meta", disse Charlie Yaxley.