Violência volta a explodir em enclave disputado por Armênia e Azerbaijão

O Azerbaijão anunciou, nesta quarta-feira (3), que tomou várias posições e destruiu alvos armênios em Nagorno-Karabakh, após combates que deixaram três mortos e reavivaram o temor de uma escalada bélica neste enclave da cordilheira do Cáucaso.

As tropas azeris "assumiram o controle de várias alturas", incluindo colinas, e estão reforçando suas posições, disse o Ministério da Defesa do Azerbaijão em um comunicado.

Ambos os lados relataram a morte de pelo menos dois separatistas armênios e de um soldado do Azerbaijão em confrontos nos arredores de Karabakh, levantando temores de uma nova guerra, depois da de 2020.

Os incidentes também correm o risco de minar as conversas de paz, mantidas há meses entre Azerbaijão e Armênia, duas ex-repúblicas soviéticas rivais do Cáucaso, com mediação da União Europeia.

A Rússia, que promoveu o cessar-fogo de 2020 e mobilizou uma força de manutenção de paz em Karabakh, acusou as forças do Azerbaijão de violarem a trégua na área de Saribaba.

Moscou está tomando "medidas para estabilizar a situação", acrescentou o Ministério russo da Defesa, em um comunicado. Já a União Europeia (UE) pediu "o fim imediato das hostilidades".

"Uma desescalada é essencial, com total respeito ao cessar-fogo e o retorno à mesa de negociações para buscar uma solução negociada", disse o porta-voz do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, em um comunicado.

De acordo com o Ministério da Defesa do Azerbaijão, um recruta morreu depois que um "fogo intenso" mirou uma posição de seu Exército no distrito de Lachin.

O Azerbaijão alegou que havia realizado uma operação de represália chamada "Vingança", durante a qual "várias posições de combate de elementos armados armênios ilegais foram destruídas".

O Ministério da Defesa divulgou um vídeo, mostrando várias explosões como resultado dos ataques às posições armênias.

Dois membros das forças separatistas armênias morreram, e 14 ficaram feridos, segundo autoridades do enclave, que denunciaram uma "flagrante violação do cessar-fogo".

- Mobilização parcial -

O Ministério armênio das Relações Exteriores pediu à comunidade internacional que tome medidas para deter "as ações agressivas do Azerbaijão".

O líder dos separatistas de Nagorno-Karabakh, Arayik Harutiunian, decretou a mobilização militar parcial no território.

Após uma primeira guerra que deixou mais de 30.000 mortos no início dos anos 1990, Armênia e Azerbaijão voltaram a se enfrentar em confronto no final de 2020 pelo controle de Nagorno-Karabakh, uma região montanhosa que recebeu apoio da Armênia quando se separou do Azerbaijão.

Mais de 6.500 pessoas morreram nesta nova guerra, perdida pela Armênia. Em virtude de um acordo de cessar-fogo mediado pela Rússia, a Armênia cedeu uma parte significativa de seu território para o Azerbaijão.

Este acordo foi visto como uma humilhação na Armênia, onde vários partidos da oposição pedem, desde então, a renúncia do primeiro-ministro Nikol Pashinian, a quem acusam de ter feito muitas concessões.

Apesar do cessar-fogo, ambos os países relatam surtos periódicos de violência e de baixas entre os soldados.

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