Violeiros convidam público a participar de cortejos da Folia de Reis pelas ruas

Maíra Rubim
1 / 2
Integrantes do grupo Caipirando, que participarão dos cortejos da Folia de Reis, já se preparam para os desfiles

RIO — A Folia de Reis, celebração de origem portuguesa e espanhola, que comemora o momento em que os Reis Magos avistaram no céu a Estrela de Belém e saíram ao encontro do menino Jesus, é relembrada há cinco anos pelos violeiros do grupo Caipirando, de Jacarepaguá. Durante quatro dias, os músicos saem em cortejo pelas ruas do bairro para levar a tradição aos moradores da região. E eles contam com a adesão de quem quiser participar para engrossar o cortejo.

— O violeiro não é só um tocador de instrumentos; ele é representante de uma cultura que é ancestral, seja a Folia de Reis, a Dança de São Gonçalo ou qualquer outra. Começamos a promover o cortejo quando passamos a ter percepção da importância desse evento — explica Henrique Bonna, fundador do Caipirando.

Bonna recorda que antigamente existiam vários cortejos na região, principalmente em Jacarepaguá, mas que, com o passar do tempo, eles foram acabando. Para manter a tradição, além dos músicos do Caipirando, o grupo convida todos os que souberem tocar um instrumento a participarem da iniciativa.

—O evento já é tradicional e fica bem bonito. Junta muita gente. Geralmente, começamos com um grupo de 50 pessoas, e no fim temos cerca de 400. Como nossa folia é de cordas, precisamos de violas, rabecas e pandeiros, além da cantoria. Vamos enviar cifras e vídeos para quem quiser participar — diz Bonna.

Quem quiser se juntar ao grupo deve enviar uma mensagem para o e-mail henrique.bonna@yahoo.com.br. No dia da festa, enquanto o cortejo percorre as ruas, os músicos entram nas casas de algumas pessoas, principalmente nas que têm presépios. O grupo costuma ser bem recepcionado pelos moradores da região, que oferecem até lanches.

—A Folia de Reis tem um lado de fazer cumprir as promessas e operar milagres. Uma vez, entramos na casa de uma senhora que estava doente e não ficava em pé. Quando chegamos, ela se levantou para nos receber. A família estava chorando e acabamos nos emocionando, depois, quando descobrimos o motivo — conta Bonna.

O ensaio geral será sexta-feira, a partir das 20h, no Sítio do Toninho, na Estrada do Sacarrão 14, em Vargem Grande. Já os cortejos acontecem nos dias 4 de janeiro, às 17h, com saída da praça da Paróquia de São Sebastião, em Vargem Grande; 5, às 17h, a partir do condomínio Passaredo, na Estrada do Rio Grande 4.577; 11, às 16h, com concentração na Paróquia de São Francisco de Assis, em Campo Grande; e 12, às 17h, tendo como ponto de encontro a Igreja de São Gonçalo do Amarante, no Camorim.

— O cortejo começa cedo e termina por volta das 21h. No último, vamos fazer um Encontro de Bandeiras em louvor a São Gonçalo, o padroeiro dos violeiros, com o grupo de carnaval Céu na Terra. Vamos trocar nossas bandeiras e tocar músicas juntos, um momento muito bonito — prevê o músico.

Participa dos desfiles um palhaço mascarado. Na Folia de Reis, ele representa um soldado de Herodes que deveria matar Jesus, mas acaba sendo o primeiro a reverenciar a criança:

— Nosso palhaço vai dançar, fazer piruetas e correr atrás das crianças. Elas adoram, se juntam e fazem a maior bagunça.

Bonna explica que os cerca de 30 integrantes do Caipirando encontraram uma maneira de manterem as tradições na cidade grande.

—Jacarepaguá era o sertão carioca. Apesar de o bairro ter mudado muito, ainda nos sentimos caipiras. Não somos um grupo só de tocar viola. Contamos histórias, dividimos vivências e temos juntos um momento de enraizamento. Buscamos a preservação da nossa cultura por meio de um resgate de tradições. A viola foi o primeiro instrumento de harmonia a chegar ao Brasil; é a nossa ancestralidade falando, a nossa essência. Por isso tantas pessoas se emocionam quando escutam — diz.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)