Violência em manifestações deixa ao menos 19 mortos na Colômbia

Redação Notícias
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Manifestantes vão às ruas contra reforma tributária (AP Photo/Fernando Vergara)
Manifestantes vão às ruas contra reforma tributária (AP Photo/Fernando Vergara)
  • Manifestações contra reforma tributária deixaram ainda mais de 800 pessoas feridas

  • Onda de protestos começou com o projeto apresentado pelo presidente Iván Duque

  • Diante da pressão, o ministro da Fazenda do país renunciou ao cargo no fim de semana

A onda de protestos na Colômbia deixou ao menos 19 mortos em cinco dias. De acordo com balanço da Defensoria do Povo, este foi o resultado das manifestações contra um projeto de reforma tributária no país.

Os dados foram divulgados pelo órgão público de fiscalização do governo colombiano na tarde da última segunda-feira. Como a madrugada foi novamente de protestos, é possível que o número seja ainda maior.

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Segundo a Defensoria, 18 dos 19 mortos eram civis, enquanto o outro era policial. O balanço também indicou que mais de 800 pessoas ficaram feridas durante as manifestações, sendo 306 civis.

Até a tarde de segunda-feira, 431 pessoas haviam sido presas por participação nos protestos. O governo ordenou a ida de militares a cidades mais afetadas, e manifestantes acusam a polícia de atirar contra eles.

Colômbia vive onda de protestos violentos (Luis Robayo/AFP via Getty Images)
Colômbia vive onda de protestos violentos (Luis Robayo/AFP via Getty Images)

O ministro da Defesa do país, Diego Molano, porém, foi enfático ao criticar os envolvidos nos protestos, que, segundo ele, são "premeditados, organizados e financiados por grupos dissidentes das Farc”.

Segundo o governo colombiano, atos de vandalismo foram registrados em 69 estações de transporte, 36 caixas eletrônicos, 94 bancos, 14 pedágios e 313 estabelecimentos comerciais.

Crise colombiana

O governo de Iván Duque apresentou no dia 15 de abril o projeto da reforma tributária ao Congresso, como medida para financiar os gastos públicos no país.

“É uma medida para dar estabilidade fiscal ao país, proteger os programas sociais dos mais vulneráveis e gerar condições de crescimento depois dos efeitos provocados pela pandemia de Covid-19", disse o presidente.

O projeto, porém, esbarrou na insatisfação da população, que considerou-o punitivo à classe média e inviável para uma sociedade que já vem sofrendo economicamente com a crise ocasionada pela pandemia.

Manifestantes acusam polícia de violência (AP Photo/Andres Gonzalez)
Manifestantes acusam polícia de violência (AP Photo/Andres Gonzalez)

Desde o dia 28 de abril, então, as ruas de diversas cidades do país foram tomadas pelas manifestações, que chegaram ao sexto dia na segunda-feira. Diante da pressão, Duque retirou no domingo a proposta e anunciou uma reformulação no projeto.

A atitude não acalmou os ânimos de boa parte da população, que seguiu nas ruas protestando contra o governo. A pressão foi tanta que o ministro da Fazenda, Alberto Carrasquilla, renunciou ao cargo na última segunda-feira. Ele será substituído pelo economista José Manuel Restrepo.