Violência: relembre cinco vidas que o Brasil perdeu em 2019

Giorgia Cavicchioli
Ágatha Félix levou um tiro de fuzil nas costas. Foto: Reprodução
Ágatha Félix levou um tiro de fuzil nas costas. Foto: Reprodução

Algumas mortes chamaram a atenção durante o ano de 2019 e chocaram pela violência. Relembre os casos, suas investigações, vítimas e culpados.

Caso Ágatha Félix

A menina Ágatha Félix, de 8 anos, foi morta após levar um tiro de fuzil nas costas quando estava dentro de uma kombi na comunidade de Fazendinha, no Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro. A garotinha estava acompanhada da avó quando foi morta. Ela chegou a ser levada ao hospital, mas não resistiu ao ferimento.

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Os familiares da garota e o motorista do veículo garantem que, no momento em que a menina morreu, não acontecia troca de tiros no local. Testemunhas afirmaram que o tiro que atingiu a menina foi disparado por um Policial Militar, que tentava acertar uma motocicleta que estava passando pelo local.

Em depoimento, os policiais que atuavam no local no dia da morte afirmaram que dispararam ao menos duas vezes para que pudessem se defender de tiros que eram disparados por criminosos. Dos 11 policiais, apenas dois aceitaram participar da reconstituição do crime.

O PM que efetuou o tiro que vitimou Ágatha responde por homicídio doloso. De acordo com o Ministério Público Estadual e Federal, o agente não agiu em legítima defesa, como tinha dito. No entanto, o policial acusado está em liberdade.

Corpo de Mariana foi achado em um canavial. Foto: Reprodução/Facebook
Corpo de Mariana foi achado em um canavial. Foto: Reprodução/Facebook

Caso Mariana

O caso que envolveu a universitária Mariana Bazza causou comoção desde quando ela desapareceu, em 24 de setembro. Um dia depois, ela apareceria morta em um canavial em Ibitinga, em São Paulo. Laudo do IML (Instituto Médico Legal) mostrou que a universitária foi morta por asfixia mecânica causada por estrangulamento.

De acordo com as investigações, no dia do crime, o pneu do carro da jovem estava murcho. Rodrigo Pereira Alves, então, teria se aproximado, avisado que o pneu estava murcho e se oferecido para ajudar a moça, que aceitou. Além disso, existe a suspeita que ele mesmo tenha esvaziado o pneu para ter como se aproximar dela.

Após aceitar a ajuda, Mariana levou o carro até uma chácara. As investigações do caso mostram que ele chegou a trocar o pneu do carro. Porém, em seguida, ele teria matado a jovem e levado seus pertences (bolsa, carro e celular).

Ele também teria tentado vender alguns objetos dela. Segundo o inquérito policial, Alves cometeu latrocínio (roubo seguido de morte). O MP-SP (Ministério Público de São Paulo) ofereceu a denúncia contra Alves em outubro.

Evaldo Rosa dos Santos foi morto na frente da família. Foto: Arquivo Pessoal
Evaldo Rosa dos Santos foi morto na frente da família. Foto: Arquivo Pessoal

Caso Evaldo

O músico Evaldo Rosa dos Santos foi morto quando militares do exército confundiram o carro dele com um de mesma cor, mas de outro modelo, que tinha sido roubado em Guadalupe, no Rio de Janeiro. A vítima dirigia o carro e estava a caminho de um chá de bebê com toda sua família.

Ao se aproximar dos militares, o carro da família foi alvejado com mais de 80 tiros. De acordo com testemunhas e com registros em vídeo, os disparos não pararam mesmo com pessoas da região gritando que eles eram moradores e com a família saindo do veículo desesperada. Evaldo morreu na hora. O sogro dele e um pedestre que passava na hora e tentou ajudar foram atingidos pelos disparos, mas sobreviveram.

A princípio, o Comando Militar do Leste dizia que tinham trocado tiros com suspeitos que tinham roubado o carro. Depois, ao ficar evidenciado que Evaldo não era um criminoso, o Exército afirmou que o caso estava sendo investigado pela Polícia Judiciária Militar, com a supervisão do Ministério Público Militar. Os acusados de envolvimento no crime respondem por homicídio doloso. Porém, estão em liberdade.

Raíssa tinha apenas 9 anos e foi morta em setembro deste ano. Foto: Reprodução
Raíssa tinha apenas 9 anos e foi morta em setembro deste ano. Foto: Reprodução

Caso Raíssa

No dia 29 de setembro deste ano, a menina Raíssa Eloa Capareli Dadona, de apenas 9 anos, foi estuprada e morta por um menino de 12 anos na zona norte de São Paulo. O crime chocou o Brasil por conta da pouca idade dos envolvidos, pelo fato de os dois serem amigos e por eles morarem na mesma rua.

O caso foi descoberto pela polícia pois, após ter desaparecido de uma festa em um CEU (Centro Educacional Unificado), câmeras de segurança flagraram o momento em que ela e o garoto apareciam andando pela rua juntos. Após ser considerado suspeito, o garoto apresentou diferentes versões sobre o que tinha acontecido, até que confessou.

Investigações mostraram que ele tinha se inspirado em filmes de terror para cometer o crime. A Justiça condenou o menino por homicídio qualificado e ele cumprirá medida socioeducativa. Foi entendido que houve morte por asfixia, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, feminicídio contra pessoa menor de 14 anos e homicídio para ocultação de crime antecedente (nesse caso, o estupro).

Lorena foi espancada até a morte. Foto: Arquivo Pessoal
Lorena foi espancada até a morte. Foto: Arquivo Pessoal

Caso Lorena

A jovem transexual Lorena Vicente, de 23 anos, foi morta em outubro deste ano após ser espancada no Jardim São Luís, zona sul de São Paulo. Na ocasião, ela estava em uma praça com o namorado e duas irmãs gêmeas estavam no mesmo local fazendo uso de lança-perfume.

Porém, uma das gêmeas passou mal e uma ambulância foi chamada. Como não tinha nenhuma outra pessoa maior de idade para acompanhar a jovem, o namorado de Lorena teria se oferecido para acompanhar a adolescente até o hospital. Então, Lorena ficou na praça esperando a volta do namorado.

Durante a espera, o tio das jovens soube do que tinha acontecido e foi até o local. De acordo com relato de familiares da jovem, o homem chegou no local já batendo na vítima. Mesmo sendo socorrida após as agressões, a jovem não conseguiu resistir. Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública), o caso foi registrado no 37º DP (Distrito Policial).