Violentos combates em Idlib permitem avanço das forças do regime sírio

Edifício atingido em Maaret al-Numan

As forças do regime sírio tomaram dezenas de vilarejos de jihadistas e rebeldes no noroeste do país, após vários dias de violentos combates - informou neste domingo (22) o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Este aumento e intensificação dos ataques aéreos provocou o deslocamento de milhares de civis. Nove morreram neste domingo, vítimas dos bombardeios de aviões russos, que apoiam Damasco, quando tentavam escapar da violência, afirmou o OSDH.

Desde a noite de quinta-feira, os confrontos - especialmente perto da cidade de Maaret al-Numan - deixaram mais de 187 mortos de ambos os lados, 77 dos quais entre as forças do regime, segundo a mesma fonte.

As forças leais a Bashar Al-Assad assumiram o controle de 29 cidades e vilarejos da região, relatou o OSDH.

"Este avanço é uma tentativa de se aproximar de Maaret al-Numan", disse à AFP o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Segundo ele, mais de 30.000 pessoas fugiram da zona de combate nos últimos dias. Outros, como Abu Akram, não puderam sair, pois não possuíam nenhum meio de transporte.

Pai de cinco filhos, ele disse à AFP que os grupos de resgate locais mal conseguem evacuar as famílias.

"Todo mundo trabalha em plena capacidade, mas não é possível gerenciar um número tão grande de pessoas", afirmou.

Composta em grande parte pela província de mesmo nome e segmentos das vizinhas Aleppo e Latakia, a região de Idlib é dominada pelos jihadistas do grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS), ex-ramo sírio da Al-Qaeda, embora também haja presença de outros grupos jihadistas e rebeldes.

Nesta região, vivem 3 milhões de pessoas, metade das quais deslocadas.

O regime sírio atualmente controla 70% do território do país e tenta reconquistar áreas fora de seu alcance, como a região de Idlib, com o apoio da força aérea russa.

O conflito na Síria, que começou como resultado da repressão sangrenta de manifestações pró-democracia pelo governo em 2011, deixou mais de 370.000 mortos e milhões de pessoas deslocadas.