Violinista brasileira é selecionada para festival internacional

Izandra Machado com seu instrumento de trabalho. Foto: Arquivo Pessoal

Izandra Machado tem 23 anos, é violinista e sempre teve o sonho de viajar para o exterior, mas ela não tinha recursos para sair do País. Porém, isso mudou recentemente. Ela foi uma das pessoas selecionadas para participar do Aruba Symphony Festival 2019, que acontece no Caribe.

A programação do festival começou neste domingo (14) e irá ser finalizado no dia 29 de julho. Sendo assim, ela teve a oportunidade de realizar seu sonho de viajar para fora do Brasil e uniu a experiência a uma outra realização: estudar música com os melhores professores do mundo.

Ela, que estuda música na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, diz que sempre teve o incentivo da família para investir no dom que tem e afirma que sua missão é muito profunda e importante para o Brasil.

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“Busco trazer para a reflexão a representatividade da mulher negra na música clássica, assim como a desigualdade racial e social existente neste meio até hoje”, explica Izandra em entrevista ao blog.

Leia a entrevista completa:

Conte um pouco da sua história com a música.

Izandra Machado: Comecei a tocar flauta doce aos oitos anos de idade incentivada pelos meus avós no Projeto Prelúdio. Quando eu tinha 13 anos, minha vó ficou sabendo do projeto social Orquestra Jovem do Rio Grande do Sul e me inscreveu. Sempre tive o apoio dos meus avós me levando e buscando nos concertos e nas atividades, até que eu mesma conseguisse ir sozinha. Minhas tias também me incentivaram. Após todo processo seletivo, passei em todas a etapas e acabei integrando a Orquestra Jovem do Rio Grande do Sul na sua primeira turma.

Depois disso você partiu para o que?

Izandra: Em 2014, fui selecionada para ingressar na Escola de Música da Ospa - Conservatório Pablo Komlós. Integrei também a Ospa Jovem, orquestra sinfônica dos alunos da instituição, e participei de diversos concertos e recitais. Participei como bolsista de festivais internacionais no Brasil com professores renomados como: Festival Internacional Sesc de Música (Pelotas/RS), Circuito de Festivais (Lages/SC,Bagé/RS/, Ivoti/RS), Gramado In Concert (Gramado/RS), I Cordas POA (Porto Alegre/RS), Festival Internacional de Inverno da UFSM (Vale Vêneto/RS).

Hoje em dia você faz o que?

Izandra: Em 2016, após a VI Edição do Festival Internacional Sesc de Música, que acontece em Pelotas, fui convidada para ser aluna do professor Marcello Guerchfeld. Sob sua orientação, ele me preparou para realizar o exame específico do curso de música na Universidade Federal no Rio Grande do Sul, no qual fui aprovada em 2017. Atualmente, estou no quinto semestre da graduação sob a orientação da professora e violinista Hella Frank.

Você também leciona, não é mesmo?

Izandra: Também leciono violino na Escola de Artistas Nova Estação, atuo como instrumentista na Orquestra Sinfônica de Gramado e tenho um blog chamado Pauta Musical, que é um espaço para questões do meio musical com live no Instagram todo domingo com um convidado.

Qual a intenção do seu trabalho?

Izandra: Em meus trabalhos, busco trazer para a reflexão a representatividade da mulher negra na música clássica, assim como a desigualdade racial e social existente neste meio até hoje. A música para mim é tudo, e eu quero através dela poder ajudar cada vez mais jovens e crianças, como ela me ajudou. Lutar por um ideal e acreditar que estamos fazendo nosso papel na sociedade através do nosso trabalho.

Como você soube do festival e como foi o processo até você descobrir que iria tocar lá?

Izandra: Fiquei sabendo do festival através de dois violinistas venezuelanos, Ricardo Chácon e Ronner Urbina, que vieram estudar doutorado em música na UFRGS. Em uma conversa, eu havia comentado que nunca tinha viajado para fora do Brasil e que isso me parecia muito longe. Foi aí que eles me incentivaram muito a realizar o processo seletivo através do formulário no site, no qual o candidato envia um vídeo e o currículo para a aprovação. A partir do que eu estava estudando, conversei com minha professora sobre a possibilidade de realizar o meu primeiro festival no exterior, no qual eu achei que não passaria, mas ela me deu o maior apoio e começou a me preparar. Gravei um vídeo e enviei meu currículo com as informações pedidas no site do festival. Após um tempo, tive o recebimento da carta no meu e-mail falando que tinha sido aprovada com bolsa.

Como foi sua reação ao receber a notícia?

Izandra: Primeiramente, eu não acreditei e chorei muito de felicidade, porque nunca achei que seria capaz de realizar um festival no exterior, não somente por questões técnicas do instrumento, mas também por recursos financeiros. Eu trabalho para me sustentar e, mesmo tendo todas as minhas atividades, ainda não é possível arcar com os custos. Então, decidi fazer minha campanha através de uma construção coletiva para arcar com os gastos de passagens aéreas, hospedagem e alimentação.

O que esse festival significa para você?

Izandra: Uma oportunidade única, não somente para a minha formação acadêmica e artística, é um grande passo no qual achei que não aconteceria por medo, insegurança e recursos financeiros. Mas quero dar este passo para também incentivar meus alunos da ONG MIM (Movimento por uma Infância Melhor), que não tem segredo e o estudo abre portas, somente o conhecimento pode nos levar a lugares que jamais imaginamos chegar sozinhos. Sou muito grata a todos que me ajudaram de alguma forma na minha trajetória e na realização deste sonho.