Virada Cultural em SP é montada por pessoas em situação de rua, denuncia padre Júlio

Virada Cultural será descentralizada, em meio ao crescimento da população de rua e da dispersão da Cracolândia. Foto: REUTERS/Amanda Perobelli.
Virada Cultural será descentralizada, em meio ao crescimento da população de rua e da dispersão da Cracolândia. Foto: REUTERS/Amanda Perobelli.
  • Denúncia foi feita nas redes sociais

  • Virada Cultural acontece neste fim de semana

  • Programação foi alterada por conta da situação do centro da capital paulista

A Virada Cultural de 2022, que volta à capital paulista depois de dois anos de hiato por conta da pandemia de covid-19, está sendo montada por pessoas em situação de rua que recebem cerca de R$ 60 por 12 horas de trabalho. A denúncia foi feita pelo Padre Júlio Lancelotti nas redes sociais.

Segundo o padre, que trabalha prestando auxílio às pessoas em situação de rua no centro de São Paulo, as pessoas estão realizando a montagem da estrutura do festival sem equipamentos de proteção individual (EPI) e recebem apenas um marmitex durante todo o expediente.

Neste ano, as atrações da virada, que ocorre no próximo fim de semana (dias 28 e 29), estarão mais distribuídas pela cidade. Tradicionalmente realizada no centro da capital paulista, precisou se espalhar por conta do aumento de roubos com a dispersão da Cracolândia.

Com o nome Virada do Pertencimento, terá mais palcos nas periferias de São Paulo. A programação conta com 300 apresentações em 96 locais diferentes, entre eles equipamentos culturais municipais, teatros, bibliotecas e palcos - que precisam ser montados especialmente para o festival.

A expectativa da prefeitura é que 2 milhões de pessoas frequentem a virada este ano.

Dispersão da Cracolândia

Policiais militares foram flagrados expulsando usuários de drogas na região da Cracolândia, em São Paulo, com uso de bombas no último dia 8.

Imagens gravadas por testemunhas, e reproduzidas nas redes sociais pelo Padre Júlio Lancellotti, mostram a confusão causada pela ação policial.

Os vídeos exibem dezenas de pessoas correndo e invadindo as ruas na região da Praça Princesa Isabel, no Centro da capital paulista, em meio a fumaça e estrondos de bombas.

“Muda o lugar, não muda a história” e “isso é São Paulo” foram algumas das críticas feitas pelo Padre Júlio Lancellotti na publicação das imagens. Desde março, a Praça Princesa Isabel passou a sediar a “Cracolândia”, ponto de tráfico e consumo de drogas na capital paulista.

Aumento da população de rua nos últimos anos

Entre 2009 e 2021, o número de pessoas em situação de rua aumentou 31% - foi de 24.344 para 31.884, segundo o Censo da População em Situação de Rua, encomendado pela Prefeitura de São Paulo e divulgado em janeiro. Junto, cresceu o número de moradias improvisadas: saltou 230%.

Com a pandemia de covid-19, mudou também o perfil das pessoas nas ruas da capital paulista. Antes, a maioria eram homens solteiros. Hoje, aumentou o número de famílias vivendo juntas na rua, grande parte despejadas de suas casas em meio à crise econômica. Segundo dados do censo, em 2019 eram 4.868 pessoas. Em 2021, chegou a 8.927 pessoas, quase o dobro.

De acordo com Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, mudou também a razão pela qual as pessoas acabam em situação de rua. Conforme ele explica para a reportagem do jornal O Globo, muitas pessoas saíam de suas casa por conta de conflitos familiares, abandono e uso excessivo de álcool e drogas. Agora, as pessoas são obrigadas a ficarem nas ruas após perderem emprego e renda. Ou seja, a moradia passou a ser a principal questão para o aumento da população de rua.

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