Virada Cultural explora trabalhadores, diz padre Julio Lancellotti

**ARQUIVO** SÃO PAULO, SP, 17.09.2020 - Entrevista com padre Júlio Lancellotti. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
**ARQUIVO** SÃO PAULO, SP, 17.09.2020 - Entrevista com padre Júlio Lancellotti. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O padre Julio Lancellotti acusa a Prefeitura de São Paulo de exploração e desprezo aos pobres na Virada Cultural, que começa neste sábado (28). Segundo uma série de postagens em sua conta no Instagram nos últimos dias, a organização da Virada Cultural recruta pessoas em situação de rua para a montagem de estruturas do evento, para as quais paga R$ 60 por 12 horas de trabalho.

Durante a jornada, os trabalhadores ganhariam apenas um marmitex e não teriam nenhum tipo de equipamento de proteção, o que seria necessário para evitar machucados, dado que a montagem é de estruturas duras, ou seja, ferros e metais. Lancellotti postou um vídeo com depoimentos de dois carregadores descrevendo a situação.

"É bom que tenha trabalho para pessoas em situação de rua, desde que tenha EPI, desde que tenha um valor correto e que haja recolhimento de previdência social", afirma o padre, em conversa por telefone com a reportagem. Segundo ele, os carregadores são recrutados por empresas terceirizadas em centros de acolhida, antigamente chamados de albergue.

A SPTuris, responsável pela montagem e infraestrutura da Virada, afirma por meio de nota que "não interfere na remuneração oferecida na relação das empresas contratadas para realização dos serviços com seus funcionários. O contrato com as terceirizadas, firmado após licitação, estabelece que sejam cumpridas todas as normas trabalhistas e de segurança das pessoas envolvidas".

Diz ainda que fiscaliza o cumprimento do contrato "para garantir que as empresas atuem dentro da legalidade e, até o momento, não identificou nenhum desvio durante o processo".

Uma destas empresas, de acordo com Lancellotti, se chama RN Carregadores. A reportagem entrou em contato por telefone, mas o funcionário que atendeu a ligação afirmou que a RN nunca trabalhou para a Virada Cultural. A prefeitura não confirmou os nomes das terceirizadas nem se a RN seria uma delas.

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