Visita de Olaf Scholz à China ensombrada por coro de críticas

Olaf Scholz visita, esta sexta-feira, Pequim, numa missão aparente para estreitar laços comerciais com a China, mas a viagem do chanceler alemão é tudo menos consensual e está a gerar um coro de críticas.

Fez soar os alarmes, em Bruxelas e não só, numa altura em que a União Europeia (UE) procura uma abordagem conjunta para a relação turbulenta com a China.

Scholz será o primeiro líder da UE a visitar o país desde o início da pandemia de Covid-19 e no rescaldo da reeleição do presidente Xi Jinping no Congresso Nacional do Partido Comunista da China.

Para Samuel Cogolati, membro da Câmara dos Representantes no Parlamento belga e alvo de sanções da China, o timing da viagem é questionável: “se a Ucrânia nos ensinou algo, é que somos mais fortes quando nós, europeus, estamos unidos, quando os 27 falam juntos com a mesma voz forte. Claramente, não será esse o caso se Scholz for por conta própria apenas para representar o seu Estado [país]. Isso é realmente lamentável."

A visita relâmpago do chanceler alemão à China surge no rescaldo da venda de parte do porto de Hamburgo ao armador chinês Cosco.

A operação, recentemente concluída, foi alvo de críticas, até mesmo dentro do governo de coligação de Scholz, com os aliados a mostrarem igualmente reservas sobre esta viagem e o chanceler alemão sob pressão crescente para encontrar na China um ponto de equilíbrio com o "parceiro, concorrente e rival sistémico."

"Todos estão a dizer que este é o momento de reduzir as dependências da China. Não devemos, pelo menos, tornar-nos mais dependentes e enredar-nos num sistema económico chinês. (...) Penso que isso é o que ainda está a intrigar um pouco as pessoas sobre esta viagem porque ainda não se deu uma mensagem clara ou se disse realmente qual é a intenção de tudo isto", sublinhou Andrew Small, investigador do German Marshal Fund.

Scholz vai viajar com uma delegação de empresários. Alguns diretores-executivos alemães terão, alegadamente, mostrado insatisfação com a visita. Também terão, ao que tudo indica, manifestado preocupações com a imagem pública numa altura em que a Alemanha continua debaixo de fogo por causa das relações com a Rússia e a dependência dos combustíveis fósseis.

O chanceler alemão tem encontro marcado com o presidente chinês. Os negócios, Taiwan ou a guerra na Ucrânia serão assuntos em cima da mesa, a par das alterações climáticas.

Ainda que Olaf Scholz possa estar a tentar manter um canal aberto com a China há quem diga que pode estar a brincar com o fogo.