Visita a Taiwan completa longa história de confronto de Nancy Pelosi com Pequim

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Presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi
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Por Patricia Zengerle e Michael Martina

WASHINGTON (Reuters) - Há mais de 30 anos, a deputada norte-americana Nancy Pelosi irritou o governo da China ao aparecer na Praça da Paz Celestial e mostrar uma faixa em homenagem aos dissidentes mortos nos protestos de 1989.

Nesta terça-feira, como presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Pelosi desconsiderou as advertências da China e desembarcou em Taiwan para apoiar seu governo e se reunir com ativistas de direitos humanos.

A viagem de Pelosi a Taiwan é o auge de décadas como uma das principais críticas norte-americanas ao governo de Pequim, especialmente em questões de direitos, e ressalta a longa história de adoção pelo Congresso dos EUA de uma linha mais dura do que a Casa Branca nas negociações com Pequim.

Segunda na linha para a Presidência depois da vice-presidente Kamala Harris, Pelosi se tornou a representante política mais importante dos EUA a viajar para Taiwan desde o então presidente da Câmara, Newt Gingrich, em 1997. Ela lidera uma delegação de seis outros membros da Câmara.

Em 1991, dois anos após a sangrenta repressão da China às manifestações pró-democracia, Pelosi e dois outros parlamentares dos EUA apresentaram uma faixa na Praça da Paz Celestial que dizia: "Aos que morreram pela democracia na China".

A polícia se aproximou, forçando-os a deixar a praça.

Em 2015, ela levou um grupo de democratas da Câmara ao Tibete, a primeira visita desse tipo desde a agitação generalizada em 2008. Pelosi tem falado regularmente sobre questões de direitos humanos no Tibete e se encontrou com o Dalai Lama, que Pequim considera um separatista violento.

A China vê as visitas de autoridades dos EUA a Taiwan como um sinal encorajador para o campo pró-independência da ilha. Washington não tem laços diplomáticos oficiais com Taiwan, mas os EUA são legalmente obrigados a fornecer os meios para que a ilha se defenda.

Kharis Templeman, especialista em Taiwan da Hoover Institution da Universidade de Stanford, disse que Pelosi, de 82 anos, estaria procurando cimentar seu legado ao sinalizar apoio a Taiwan contra a pressão de Pequim.

"E que pessoa melhor para enviar esse sinal do que a própria presidente da Câmara? Então ela está em uma posição simbólica muito poderosa para se colocar contra o PCC", afirmou Templeman, referindo-se ao Partido Comunista Chinês.

Pequim considera Taiwan parte de seu território e nunca renunciou ao uso da força para colocar a ilha sob seu controle. Taiwan rejeita as reivindicações de soberania da China e diz que apenas seu povo pode decidir seu futuro.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, disse que uma viagem levaria a "desdobramentos e consequências muito graves".

Analistas disseram que a resposta de Pequim provavelmente será simbólica. "Acredito que a China tentou sinalizar que sua reação deixaria os EUA e Taiwan desconfortáveis, mas não causaria uma guerra", afirmou Scott Kennedy, analista sobre China no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington.

O Congresso norte-americano há muito adota uma linha mais dura em relação a Taiwan do que a Casa Branca, não importando se estão no comando os democratas, como o presidente Joe Biden e Pelosi, ou os republicanos.

Os republicanos apoiaram a viagem de Pelosi. "Qualquer membro que queira ir, deve ir. Isso mostra dissuasão política ao presidente Xi", disse o deputado Michael McCaul, principal republicano do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, à NBC News.

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