'Visitou minha filha no hospital todos os dias', diz mãe de jovens envenenados pela madrasta

Presa nesta sexta-feira acusada de tentar matar o enteado com feijão envenenado, Cíntia Mariano Dias Cabral, de 48 anos, é suspeita também pela morte da enteada, Fernanda Carvalho Cabral, de 22 anos. Em março, a jovem apresentou os mesmos sintomas que o irmão, que passou mal no último domingo, e acabou não resistindo após quase duas semanas internada.

— Ela visitou a minha filha no hospital todos os dias, como se nada tivesse acontecido. E me abraçou no enterro, embora não parecesse comovida. Mas, até então, eu pensava apenas que era o jeito dela — conta a empresária Jane Carvalho Cabral, mãe das vítimas, que denunciou o caso à polícia e iniciou uma campanha por justiça nas redes sociais: — De certa forma, essa prisão é um alívio, sim.

Fernanda morava com o pai e a madrasta há cerca de um ano, em uma casa em Padre Miguel, na Zona Oeste do Rio. No local, também vivia o irmão dela, de 16 anos. Na tarde de 15 de maio, o estudante deu entrada no Hospital municipal Albert Schweitzer com tonteira, língua enrolada, babando e com coloração da pele branca após comer um prato de feijão feito e servido por Cíntia. Na residência da família, agentes da 33ª DP (Realengo), que investiga os dois episódios, apreenderam um frasco de Butox, um tipo de veneno para pulgas.

Intimada a depor, a madrasta das vítimas compareceu à delegacia acompanhada do advogado na tarde desta sexta-feira, ainda antes da decretação da prisão temporária. Cíntia, porém, se reservou ao direito constitucional de permanecer em silêncio.

— Ela não confessou. Mas, pelos depoimentos dos filhos naturais, sabemos que ela admitiu para eles ter envenenado Fernanda e que tentou fazer o mesmo com o enteado — disse o delegado Flávio Rodrigues.

Mais cedo, em um vídeo de quase meia hora postado no Instagram, Jane falou sobre a luta por justiça pelos filhos: "Hoje não tem lágrima nos olhos. Hoje tem sangue nos olhos. Por gana. Por justiça. Por vitória. Pela minha família". Ela narrou que o fato de os dois jovens terem apresentados exatamente os mesmos sintomas "após uma refeição na casa da madrasta e do pai" gerou a desconfiança de que Fernanda, cuja morte até então era tratada como natural, também poderia ter sido envenenada.

"Graças a Deus eu consegui salvar o meu filho. E ele veio para provar, para derrubar essa máscara. Pra fazer justiça por ele e pela irmã dele", diz Jane na gravação. "Não se chama (pessoas assim) de ser humano. Isso se chama de monstro", completa a mulher.

— Minha filha sempre morou comigo, mas minha casa estava em obras e, como ela passou a trabalhar com o pai, acabou se mudando pra lá. Eu acho que isso tudo aflorou os ciúmes dessa mulher — afirmou Jane ao EXTRA.

Segundo os depoimentos prestados na distrital, durante o almoço do último domingo, em que foram servidos ainda arroz, bife e batata frita, estavam presentes Cíntia, o marido e o enteado, além de uma filha de outro casamento do pai dos jovens e dois filhos e uma neta da madrasta. Na ocasião, o rapaz reclamou que o feijão estava com gosto amargo e o colocou no canto do prato. A madrasta, então, levou o prato de volta para a cozinha e colocou mais comida.

Após a refeição, o estudante foi deixado na casa da mãe, que minutos depois ligou para o ex-marido contando dos sintomas apresentados pelo filho. Levado ao Albert Schweitzer, o jovem foi submetido a uma lavagem gástrica e teve a intoxicação exógena diagnosticada pela equipe médica. Ele continua internado.

À mãe, o estudante relatou ter passado mal justamente após ingerir “umas pedrinhas azuis que estavam no feijão” e contou que, ao servir seu prato, a madrasta teria apagado a luz da cozinha “como se estivesse escondendo algo”. Aos policiais, a madrasta disse que as tais “pedrinhas” eram um tempero de bacon que não havia dissolvido na comida.

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