Vitória de Lula traz um novo fôlego para as relações UE-Brasil

A vitória de Lula da Silva nas eleições presidenciais no Brasil pode mudar o rumo das relações do país com a União Europeia (UE).

Especialistas falam num novo fôlego.

"Não há dúvidas de que a eleição do sindicalista de 77 anos para o comando do Brasil dará um impulso político nas relações UE-Brasil, que estiveram ensombradas nos últimos anos", sublinhou, em entrevista à Euronews, Emily Rees, investigadora no Centro Europeu para a Economia Política Internacional (ECIPE no acrónimo em inglês).

A presidente da Comissão Europeia congratulou Lula da Silva pela vitória.

Ursula von der Leyen destacou a segurança alimentar, alterações climáticas e comércio como áreas importantes de cooperação.

A ratificação do acordo de livre comércio UE-Mercosul é um dos grandes temas pendentes. Ainda à espera da ratificação dos governos europeus será parcialmente emendado.

"A Comissão Europeia tem estado a negociar um instrumento paralelo sobre meio ambiente e clima. Este deveria ser - diria eu - um recurso mais fácil em termos de negociações daqui para frente. Mas também veremos Brasília a procurar, talvez, adicionar alguns instrumentos próprios, nomeadamente em matéria de propriedade intelectual e compras públicas, de qualquer tema ou política que possa ajudar a industrializar ou reindustrializar o Brasil, que tem sido um motor desta campanha", acrescentou Emily Rees.

Do parlamento europeu também chegam preocupações, principalmente em matéria ambiental, pela voz de Anna Cavazzini, eurodeputada do Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia: “o importante, antes de mais, é que Lula da Silva e a sua equipa restaurem as leis de proteção ambiental no Brasil e, principalmente, também fortaleçam todas as instituições que são importantes para a fiscalização da proteção florestal, porque durante o mandato de Jair Bolsonaro a política florestal foi um desastre. Esta é uma pré-condição, penso eu, para qualquer conversa sobre livre comércio. Em segundo lugar, é importante que eles renegociem o acordo, pelo menos parcialmente."

Mais difícil pode ser o alinhamento do Brasil com a União Europeia em relação à guerra na Ucrânia.

Até agora, o país não impôs sanções a Moscovo e qualquer mudança de rumo durante o mandato de Lula parece improvável.