Vitória de Lula vira festa com samba, churrasco e cerveja na avenida Paulista

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Se estava decidido que a avenida Paulista, em São Paulo, seria liberada para a festa do vencedor da eleição presidencial, os apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ignoraram a possibilidade de derrota.

Desde o começo da tarde deste domingo (30), eles dominaram a região. Quando o anúncio da vitória de Lula, eleito novamente presidente, chegou, as cerca de 15 mil pessoas que já estavam na região explodiram em festa.

"Tá na hora do Jair, tá na hora do Jair já ir embora", começaram a cantar.

Ela serviu para substituir o grito mais popular enquanto a apuração acontecia. Mesmo quando Bolsonaro estava na frente, os apoiadores do petista gritavam "Lula ladrão, roubou meu coração."

Foi uma festa desorganizada e totalmente de iniciativas individuais. Ao contrário do que aconteceu no primeiro turno, quando sua aparição era certa, as pessoas estavam em dúvida se Lula iria à Paulista ou não.

Alguém levou uma caixa de som e a multidão cantou "Apesar de você" (Chico Buarque) e "Vou festejar" (Beth Carvalho). Depois, a trilha sonora teve o ritmo arrocha e música de Anitta, enquanto cervejas a R$ 10 eram compradas em doses cavalares e ambulantes vendiam espetinhos.

Era como se Lula, o candidato que prometera voltar a colocar picanha no prato dos brasileiros, tivesse transformado a avenida Paulista em um enorme churrasco na laje.

Mesmo símbolos que eram considerados do bolsonarismo foram subvertidos neste domingo (30). Entre os simpatizantes do petista, compareceram eleitores com a camisa da seleção brasileira, com adesivos de Lula ou com o 13, número utilizado por ele na eleição presidencial, nas costas.

Desde os protestos contra o governo de Dilma Rousseff, em 2015, a camisa amarela da equipe passou a ser usada como símbolo de oposição ao PT e, depois, pelo bolsonarismo.

"Hoje isso acaba. A gente precisa terminar com essa visão. Quem disse que a camisa da seleção, a bandeira do Brasil, é do Bolsonaro?", questionou o publicitário Eduardo Campestre, 37, que usava uniforme da equipe da CBF e enrolado em uma bandeira do Lula.

O contato dos simpatizantes de Lula com os poucos bolsonaristas que estavam na Paulista foi pacífico até às 17 horas, quando terminou a votação.

"Este é ano de Copa. Esse cara [Bolsonaro] está usando a bandeira do Brasil e a camisa da seleção como se fossem do partido dele. E não são. A gente precisa retomar isso", disse a cantora Taís Helena, com uniforme da seleção repleto de adesivos de Lula.

Um eleitor com a camisa da seleção virou atração por carregar caixão de papelão com a imagem de Bolsonaro. Ele emprestava o adereço para outras pessoas tirarem fotos. Um homem vestido de Homem-Aranha e cheio de adesivos de Lula começou a dançar no meio da avenida.

Cafés da região, como Starbucks e Kopenhagen se transformaram em QG lulista. Pessoas subiam nas mesas para comemorar. Seguranças perguntavam as parciais da apuração.

"Ganhamos?", perguntou um deles para homem que usava camisa do Bahia, clube do estado onde Lula teve mais de 72% dos votos válidos.

"Acabou. Ganhamos."