Vitória sem precedentes da direita e extrema-direita em eleições na Suécia

Um bloco inédito, fruto da união entre direita e extrema-direita, venceu por uma estreita maioria as eleições legislativas da Suécia contra a esquerda, até agora no governo, de acordo com resultados quase definitivos anunciados nesta quarta-feira (14).

No fim do último dia da contagem de votos, após uma eleição muito apertada no domingo, a primeira-ministra Magdalena Andersson reconheceu a derrota de seu bloco e anunciou sua renúncia, que entrará em vigor na quinta-feira.

"Obrigada pela confiança. Agora botaremos ordem na Suécia!", reagiu em uma publicação no Facebook o chamado para sucedê-la, Ulf Kristersson, líder do partido conservador.

Segundo resultados quase definitivos, com mais de 99% dos votos apurados, o bloco da direita e da extrema-direita teria conquistado 176 assentos, dos quais 73 correspondem ao voto da extrema-direita dos Democratas da Suécia (SD). O bloco de esquerda, liderado por Andersson, obteve 173 assentos.

A mudança é histórica: nunca antes um governo sueco se apoiou no SD, o grande vencedor desse período eleitoral com 20,6% dos votos e o recém-alcançado título de segundo partido do país.

"Agora começa o trabalho para fazer com que a Suécia vá bem de novo", reagiu seu líder, Jimmie Åkesson, no Facebook, prometendo ser uma "força construtiva e de iniciativa".

Herdeiro de uma formação neonazista, o partido fundado em 1988 foi se normalizando no cenário político sueco e aumentando sua representação até entrar no parlamento em 2010 com 5,7% dos votos. A partir daí, cresceu a cada eleição.

Mas, embora o SD seja atualmente o primeiro partido da coalização, seu líder não é capaz de conquistar o apoio das outras formações para se tornar primeiro-ministro, cargo prometido a Ulf Kristersson.

Especialistas acreditam que o partido acabará apoiando o futuro Executivo no Parlamento, mas sem fazer parte dele.

- Negociações na direita -

O bloco que abrange da centro-direita à extrema-direita parece ser bastante frágil, especialmente devido às diferenças consideráveis entre os liberais e o SD em diversas questões.

Caberá a Kristersson, um ex-ginasta, manter a união entre direitas muito diferentes entre si.

"É uma situação parlamentar difícil", resume Mikael Gilljam, professor de políticas da Universidade de Gotemburgo, com uma maioria muito fraca e "partidos que não se gostam nada" entre si.

Ficando atrás do SD e seus 73 assentos, onze a mais que em 2018, os moderados obtiveram 68 assentos; os democratas cristãos, 19 e os liberais, 16.

Na esquerda, os sociais-democratas subiram para 107, sete mais do que nas últimas eleições,. No entanto, a união com os partidos verdes e de esquerda não alcançou uma maioria numérica que lhes permita governar.

Após a renúncia de Andersson, o presidente do Riksdag, o parlamento sueco, encarregará formalmente Kristersson da tarefa de formar um governo.

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