Vitórias em Copa que valem uma folga: veja mais casos além da Arábia Saudita

Logo após a virada histórica da Arábia Saudita sobre a Argentina, o Rei Salman bin Abdulaziz Al Saud decretou que esta quarta-feira será feriado em todo o país, para que trabalhadores e estudantes possam comemorar o feito inédito. A mídia saudita afirmou que a virada foi "talvez o maior ato esportivo de uma nação árabe", e a celebração irá marcar o dia, mas o legado dos Falcões Verdes já está marcado para sempre na memória esportiva — e afetiva — do país.

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O primeiro precedente aconteceu em 1990, na Copa da Itália, quando Camarões se tornou a primeira equipe africana a avançar para as fases eliminatórias da competição: o dia seguinte se tornou feriado nacional para que todos os cidadãos pudessem comemorar, cada um à sua maneira, a conquista. Curiosamente, na fase de grupos, a seleção camaronesa já dava sinais de potencial quando venceu os hermanos argentinos por 1 a 0.

Quem seguiu os passos de Camarões foi a seleção de Senegal. O ano de 2002 ficou marcado para os brasileiros como o do pentacampeonato, mas a partida inaugural da Copa do Mundo teve um significado especial para os senegaleses. A equipe surpreendeu a todos ao vencer a França, então campeã mundial. Na época, o primeiro jogo do Mundial seguinte ainda era realizado entre o último vencedor e um clube sorteado do grupo do último campeão, e o país africano, com pouca história no futebol mundial, entrou em campo sem expectativas de vitória.

O 1 a 0 impressionou tanto que o presidente do país, Abdoulaye Wade, que estava em viagem internacional, cancelou todos os compromissos como líder de estado para retornar à Dakar, capital do país, e comemorar com seus conterrâneos a vitória. Depois de andar em uma espécie de quadriciclo pelas ruas da cidade com uma bola de futebol nas mãos, ele decretou o dia 31 de maio feriado nacional, com uma camada extra de zoação: os senegaleses fazem questão de comer frango, mascote francês, na data, para lembrar que os Leões de Senegal "engoliram" os campeões do mundo.

Quase duas décadas depois, o futebol deu mais um feriado para os senegalese. Em 7 de fevereiro deste ano, a seleção nacional conquistou uma inédita Copa Africana das Nações, em uma disputa de pênaltis que deixou o Egito de Mo Salah para trás — algo que se repetiria meses depois, no confronto pela última vaga da África para a Copa do Catar — e deu origem a mais uma data de comemoração, sancionada pelo atual presidente do país, Micky Sall.