Vitórias na luta contra o câncer: projeto premiado é expandido em Meriti

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Um programa premiado pelo Ministério da Saúde tem tido bons resultados em São João de Meriti. A iniciativa promove o acompanhamento da paciente de câncer de mama, desde o diagnóstico até o tratamento. No início do mês, o projeto foi um dos cinco vencedores do prêmio Prevenção e Controle do Câncer oferecido pelo governo federal, a partir da experiência no Hospital da Mulher, na cidade da Baixada. Para a mastologista responsável pelo programa, Sandra Gioia, a proposta principal na unidade foi fazer cumprir a “lei dos 60 dias”, que diz que o paciente com câncer deve iniciar o tratamento no SUS em até 60 dias a partir do diagnóstico. A experiência bem sucedida fez com que o hospital passasse de uma taxa de cumprimento da lei de 27% em 2019 para 85% em 2020, e o tempo médio para início do tratamento foi de 38 dias. Já na atenção básica, na Clínica da Família Vila Rosali, unidade onde o projeto está sendo implementado agora, a proposta é atuar na prevenção do câncer de mama com informações sobre autoexame, orientações sobre marcação de consultas, encaminhamento para exames e no acolhimento da paciente após o diagnóstico.

Há um “navegador”, profissional de saúde que fica responsável pelo contato contínuo com a paciente por meio de uma busca ativa para evitar que ela deixe de fazer exames, por exemplo. Na Vila Rosali a “navegadora” é a psicóloga Liliani dos Santos. O projeto também realiza um trabalho de conscientização a partir de palestras com profissionais da saúde em encontros chamados de “Clube da Mama”, em que pacientes da clínica são convidadas para participar. Para a médica responsável pelo projeto, o objetivo na atenção primária é fazer cumprir a “lei dos 30 dias”, que determina que em caso de suspeita de câncer, os exames para confirmação do diagnóstico devem ser realizados em até 30 dias.

— Separamos as mulheres assintomáticas de 50 a 69 anos, e elas têm que fazer o exame. Se der alterado, vamos pedir biópsia, e se vier câncer, fazer o tratamento. As pacientes sintomáticas, a gente tem que fazer mamografia diagnóstica, e se precisar, faz biópsia. É um projeto para a gente fazer um rastreamento organizado, personalizado, fazer com que as pacientes tenham educação em saúde, que se cuidem — explica.

Uma das pacientes da unidade de saúde que participou do Clube da Mama é Elzira Pereira, de 64 anos. Ela não é paciente oncológica, mas teve instruções proveitosas:

— Na palestra falam que a mulher deve se apalpar para se conhecer, porque quando levanta o braço e apalpa os seios, percebe alguma coisa. Foi assim que descobri que as minhas glândulas mamárias eram inflamadas.

Liliani está sendo treinada com informações sobre o câncer de mama para tirar dúvidas e orientar as pacientes, e incentivar o cuidado:

— Você vê aquela mulher fragilizada e é o momento em que pode acolhê-la, segurar na mão e mostrar que ela não está sozinha, que o câncer de mama não é sentença de morte. Uma vez que você acolhe, a paciente já se sente segura.

Sandra diz que, na Clínica da Família, a proposta é fazer o diagnóstico o quanto antes:

— Se eu fizer o diagnóstico precoce, evito retirar a mama, evito quimioterapia, então são custos diminuídos no hospital e melhora a qualidade de vida da paciente.

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