Vítima de anestesista diz que filha desconfiou da quantidade de sedativo dada à mãe

Mulher foi estuprada pelo médico colombiano Andres Eduardo Oñate Carrillo

Anestesista colombiano foi preso por abusar de pacientes no RJ (Reprodução/TV Globo)
Anestesista colombiano foi preso por abusar de pacientes no RJ (Reprodução/TV Globo)
  • Filha de uma das vítimas de anestesista estuprador suspeitou da quantidade de anestésico dada à mãe;

  • A mulher conta que demorou quase 2 horas para começar a recuperar os sentidos após a cirurgia;

  • Na época, havia feito a retirada do útero.

Uma das vítimas do anestesista colombiano Andres Eduardo Oñate Carrillo, preso por estuprar pacientes durante cirurgias no Rio de Janeiro, disse que sua filha - que estava como acompanhante - suspeitou da sua falta de consciência após o procedimento.

Em entrevista à TV Globo, a mulher violentada, que preferiu não se identificar, contou que fez a retirada do útero, mas que sequer conseguia falar quando voltou da operação. O médico, então, explicou à filha que usou mais anestésicos do que o comum.

“Eu lembro que a minha filha ficava fazendo perguntas para mim e perguntou [ao médico]: 'Por que a minha mãe está assim?'. Aí o doutor falou: 'tem tipos de cirurgia que a gente tem que dar um pouco mais de anestesia porque é prolongada, como foi a cirurgia da sua mãe", relatou.

O procedimento aconteceu no Complexo Hospitalar Universitário Clementino Fraga Filho, o Hospital do Fundão da UFRJ (Universidade Federal do RJ). A vítima contou que demorou 2 horas para começar a recuperar os sentidos no pós-operatório.

“Eu estava, por assim dizer, 'morta' em cima de uma mesa. Para ele chegar e não ter uma consciência que é um paciente que está ali, que vai ser operado, que, na mesa de cirurgia, pode morrer. Que consciência é essa? Ele estudou o quê? Para ser bicho, para ser monstro, ou ele estudou para ser médico? Porque, para mim, um homem desses não é médico não, para mim uma, pessoa dessas é um monstro”, lamenta.

Estupro e pornografia infantil

Até o momento, foram identificadas duas vítimas de Andres. Os crimes aconteceram entre 2020 e 2021, mas a polícia não descarta a possibilidade de outras mulheres terem sido estupradas.

O anestesista foi preso nesta segunda-feira (16). As investigações contra ele começaram em 2022, após a Polícia Federal encontrar 20 mil arquivos com pedofilia em seus computadores. Ele ainda é suspeito de aliciar crianças para a produção do conteúdo pornográfico.

Na época em que os conteúdos de abuso infantil foram encontrados, três arquivos feitos pelo próprio médico chamaram a atenção dos investigadores. Tratava-se das imagens de estupro cometido contra as pacientes sedadas em hospitais.

Ainda de acordo com a polícia, os vídeos que Andres gravou foram mostrados às vítimas, que se reconheceram, mas não tinham ciência de que haviam sido violentadas.

O caso de Andres é semelhante ao de Giovanni Quintella Bezerra, cujo julgamento já começou.