Vítima perde cerca de R$600mil em golpe no Tinder

Mulher utilizando o aplicativo de namoro online. (Foto: Getty Creative)
Mulher utilizando o aplicativo de namoro online. (Foto: Getty Creative)
  • Ela passou a trocar mensagens com um homem que se dizia “homem de negócios e investidor”;

  • O dinheiro para os investimentos vieram da venda de um apartamento que Aline;

  • A primeira aplicação foi de US$ 1.000 (R$ 4.700 na atual cotação)

A administradora de empresas Aline Fernandes dos Santos, 41, teve sua vida desestruturada depois de cair em um golpe no Tinder. Ela recorreu ao aplicativo de namoro após encerrar um casamento de 20 anos achando que poderia encontrar um novo amor. No dia 11 de março deste ano, ela passou a trocar mensagens com um homem supostamente britânico de 33 anos que em sua biografia se dizia “homem de negócios e investidor”.

Após um mês de relacionamento virtual, Aline perdeu cerca de R$ 600 mil. O rapaz, que se intitulava Jack, mas que provavelmente é brasileiro e não tem esse nome, dizia trabalhar com investimento em criptomoedas e induziu a administradora a investir com ele no ramo.

"Eu tinha curiosidade, mas não sabia operar ações, quanto mais criptomoedas. Ele explicou como funcionava e disse que me ensinaria se eu quisesse. Aí as explicações vieram corretas, eu chequei, e decidi fazer um aporte”, contou para a Folha de S. Paulo.

A primeira aplicação foi de US$ 1.000 (R$ 4.700 na atual cotação) em uma corretora internacional certificada, a Crypto.com, cujo garoto-propaganda é o ator Matt Damon.

O dinheiro para os investimentos vieram, em grande parte, da venda de um apartamento que Aline dividia com o ex-marido e de outros bens.

Ao mesmo tempo em que ia articulando os investimentos, o golpista ia seduzindo Aline com galanteios e promessas de um relacionamento sério no Brasil. De acordo com a administradora, era difícil desconfiar da atitude do rapaz porque ele a ensinava a investir numa corretora idônea, que existe. Em nenhum momento ele pediu senhas ou dados.

Quando o primeiro investimento rendeu, Jack sugeriu que ela transferisse tudo para uma outra corretora que segundo ele "valia mais a pena", o que Aline fez sem checar a procedência na internet. O dinheiro foi direcionado a BTX Exchange, que é uma corretora fraudulenta, de acordo com o Scamosafe, que detecta a veracidade de alguns sites de investimento.

De acordo com os analistas ouvidos pela Folha, é provável que o golpista tenha usado desse site para converter os dólares em criptomoeda.

Quando o investimento chegou a cerca de US$ 47 mil (dos cerca de US$ 89 mil aplicados, cerca de R$ 425 mil), Aline quis resgatá-lo. O rapaz então sumiu e a bloqueou no whatsapp.

Aline tentou contato com o atendimento ao cliente e a corretora disse que ela tinha que pagar taxas e impostos. No total o valor chegava a 37.568 USDT (código para tether, uma moeda digital atrelada ao dólar) em taxas e impostos, o que equivale a quase R$ 180 mil.

Desesperada com a situação, Aline passou a usar cartões de crédito para pagar as faturas, fazendo novas dívidas. A solução foi fazer um boletim de ocorrência na delegacia de crimes cibernéticos, no centro de São Paulo, mas segundo explicou um policial, dificilmente ela conseguirá reaver o dinheiro investido.

O delegado Thiago Cirino Chinellato, da divisão de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo alerta para os padrões que são utilizados por criminosos em apps de paquera: geralmente a pessoa diz não morar no Brasil, usa de fotos de perfil de uma outra pessoa e em pouco tempo de conversa fala em dinheiro.

Em nota, o Tinder lamentou o ocorrido e disse não tolerar esse tipo de comportamento na rede social. A empresa ainda orienta que os usuários se relacionem com perfis verificados, ou seja, que apresentem dois tiques azuis junto a foto de perfil. Isso indica que aquela pessoa é real.

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