Vitinho aparece de surpresa em festa de aniversário de garoto autista

Luciano Ferreira

RIO — O jovem Lucas Mansur teve uma grande surpresa em seu aniversário de 8 anos, comemorado junto aos colegas de escola na última quinta-feira. Como é de costume da mãe, um bolo foi levado à escola em que ele estuda para a festa, que contou com a visita do atacante Vitinho, do Flamengo. O jogador decidiu fazer uma surpresa ao garoto, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Antes pouco afeito ao futebol, o menino tem aumentado o carinho pelo esporte desde a chegada de Vitinho ao Flamengo, passando a desenvolver uma grande identificação com o clube. Lucas é afilhado de Amanda Almeida e Miguel Góes, empresário do jogador, e já chegou a ser convidado para participar da festa de aniversário do atacante, na qual estavam presentes vários atletas do elenco rubro-negro.

— Agora, as crianças da escola já enxergam o Lucas de uma maneira diferente, e isso o ajudou muito a socializar com os colegas, porque agora eles têm o assunto do futebol em comum. Ele tem algumas estereotipias vocais e gestuais, e isso atrapalha a visão que os outro têm dele, principalmente as outras crianças. O Lucas tem muita dificuldade em se socializar, mas tem evoluído, e episódios como esses ajudam nesse relacionamento — comemora a mãe do jovem, a autônoma Carolina Mansur.

Lucas já teve a oportunidade de entrar em campo junto com o elenco do Flamengo no jogo contra a Cabofriense, pela 5ª rodada da Taça Guanabara, em fevereiro. Antes da cerimônia, ele conheceu o gramado e outros setores do estádio, para se acostumar ao ambiente. Por Vitinho iniciar o jogo no banco, o jovem entrou de mãos dadas com o lateral Renê.

— Quando ele chegou à escola no dia seguinte, os amigos tinham o visto na televisão no dia anterior, e passaram a enxergar alguma coisa em comum com ele, que era o Flamengo, o futebol. Em geral, as crianças não sabem como entrar em contato com o meu filho, como brincar, mas essa situação ajudou bastante — conta a mãe.

Quando Lucas tinha cerca de um ano e meio, Carolina começou a desconfiar que o filho apresentava deficiências em seu desenvolvimento. Aos dois, veio o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), e foi iniciado uma série de terapias para o jovem. Ao longo da infância, ele apresentou hipotonia (redução do tono muscular), dificuldade em socializar com outras crianças por meio de brincadeiras, além de algumas estereotipias (ações repetitivas de postura ou fala, comum em crianças autistas).

Carolina conta que enfrentou algumas dificuldades para criar o filho, recebendo ajuda da mãe e dos padrinhos, Amanda e Miguel, porque tinha de se dedicar exclusivamente às terapias do garoto. Ela faz questão de agradecer a eles e a Vitinho pela surpresa.

— Mesmo estando em meio a essa maratona de jogos, tendo acabado de jogar na noite anterior e comemorado o título, o Vitinho acordou cedo e fez questão de sair lá da Barra e vir até Niterói para acompanhar o aniversário do Lucas. Eu nunca imaginei que isso pudesse ocorrer, com tantos compromissos que eles têm. Ele tinha uma entrevista às 13h, e ainda assim veio até aqui dar os parabéns — relata a mãe do garoto.