Vitrine pré-eleitoral, Lavagem do Bonfim abriga do PT ao Novo em Salvador

JOÃO PEDRO PITOMBO

SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - O governador da Bahia, Rui Costa (PT), não apareceu por motivos de saúde. O senador Jaques Wagner (PT) e o vice-governador, João Leão (PP), participaram apenas do ato ecumênico na Basílica da Conceição.

Assim, o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), correu solto na sua última Lavagem do Bonfim no cargo. Percorreu o trajeto cumprimentando eleitores, distribuindo acenos e abrindo extraoficialmente a campanha pela sua sucessão.

Diante de uma eleição municipal aberta e com nomes pouco conhecidos, a Lavagem do Bonfim foi a primeira oportunidade dos pré-candidatos à Prefeitura de Salvador buscarem um lugar ao sol junto ao eleitorado.

A festa religiosa, marcada pelo culto a Oxalá, no candomblé, e ao Senhor do Bonfim, no catolicismo, tem forte carga política. Historicamente, é encarada como o ponto de largada das corridas eleitorais, momento no qual os pré-candidatos enfrentam o seu teste de popularidade nas ruas.

Devidamente vestidos de branco, como manda a tradição, os principais nomes da disputa eleitoral em Salvador percorreram a pé os 6,4 quilômetros até a Basílica do Bonfim, na Colina Sagrada. 

No percurso, ACM Neto colou no seu vice Bruno Reis (DEM), lançado há cerca de dez dias como pré-candidato à sua sucessão. E desfilou cercado por uma claque de aliados e funcionários da prefeitura.

Nem bem o cortejo ganhou as ruas do bairro do Comércio, Reis foi carregado nos ombros por aliados. E junto de seu padrinho político, fez o percurso em zigue-zague, de forma a cumprimentar o máximo possível de eleitores.

Sem o governador Rui Costa, orientado pelos médicos a não participar da festa após cirurgia que retirou um nódulo mamário, a unidade passou longe do principal bloco de oposição a ACM Neto.

O PT desfilou com seus quatro pré-candidatos à: a socióloga Vilma Reis, a secretária estadual Fabya Reis, o deputado estadual Robinson Almeida e o ex-ministro da Cultura Juca Ferreira.

Dois deles discursaram na altura da Estação da Calçada. Fabya criticou o grupo do prefeito por "já estar arrotando vitória" na sucessão deste ano. Mais virulento, Robinson chamou o prefeito de "anão de Bolsonaro".

Em meio a tantos pré-candidatos, o senador Jaques Wagner lamentou o fato de o PT não ter construído previamente um nome para disputar a prefeitura. "Ninguém inventa candidato na véspera."

No meio do bloco petista, cartazes criticavam o próprio governador Rui Costa por sua proposta de reforma de Previdência e pela decisão de fechar um colégio estadual em um bairro rico de Salvador.

Os demais partidos de esquerda se dispersaram e buscaram luz própria.

A deputada estadual Olívia Santana (PC do B) desfilou ao lado de Manuela D'Ávila, que foi candidata à vice-presidente em 2018 na chapa do petista Fernando Haddad.

No grupo do PSB, a ex-prefeita e deputada federal Lídice da Mata, que também pleiteia candidatura, veio acompanhada do líder da oposição na Câmara, deputado Alessandro Molon (RJ).

No campo da direita, o Novo colocou o seu bloco na rua com o deputado federal Vinícus Poit (SP). Camisas dos integrantes traziam o slogan "quem tem fé vota contra o fundo eleitoral".

Aliados do presidente Jair Bolsonaro (eleito pelo PSL e hoje sem partido) desfilaram de foram dispersa. Principal organizador da Aliança pelo Brasil na Bahia, o vereador Alexandre Aleluia (DEM) percorreu o cortejo sozinho.

Considerado um dos pré-candidatos mais competitivos por sua inserção na comunidade evangélica, o deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante) não veio com os seus Timbaleiros de Cristo, grupo de percussionistas que costuma acompanhá-lo em eventos festivos.

Mesmo com as diferenças partidárias, a festa política correu sem maiores incidentes. O clima de tranquilidade foi rompido apenas no início do cortejo, quando dois grupos quase trocaram sopapos em frente ao Elevador Lacerda.

De um lado, estavam apoiadores do presidente Bolsonaro. De outro, militantes do PCO (Partido da Causa Operária). Não houve feridos.