'Vivemos momentos críticos': família de Marcelo Arruda convida população para ato pela paz inter-religioso e suprapartidário

A família do guarda municipal Marcelo Aloizio de Arruda, líder do PT em Foz do Iguaçu (PR) que foi assassinado na própria festa de aniversário, temática do partido, divulgou um texto na manhã desta quinta-feira convidando a população para um ato pela paz, descrito como inter-religioso e suprapartidário, no município no próximo domingo, dia 17. A concentração está marcada às 10h na Praça da Paz, na Avenida Juscelino Kubitschek, perto da Feirinha da JK. Arruda foi morto a tiros pelo agente penal federal Jorge José da Rocha Guaranho. Ao ser belado, revidou e atingiu seu agressor que, no momento, encontra-se internado da UTI em estado grave, respirando com ajuda de aparelhos e sem previsão de alta, de acordo com a Polícia Civil do Paraná.

"A atividade convocada por amigos, familiares e entidades vai relembrar a vida de Marcelo Arruda e pedir justiça", afirma o comunicado, assinado pela família de Arruda. "Vivemos momentos críticos em nosso país. O extremismo tem tomado lugar, onde deveriam prezar por liberdade, expressão e voz de quem tenta lutar pela paz. Essa voz tem sido 'tombada', a cada momento perdemos pessoas vítimas de uma política antidemocrática. Precisamos exigir paz".

A mobilização pretende relembrar a vida de Arruda, bem como pedir justiça.

"Marcelo Arruda sempre foi um homem que lutou para que nossa liberdade fosse respeitada, ao lado de todas as classes,comunicando-se e expressando sua visão. É preciso continuar germinando a semente", acrescenta o texto.

O ato deve contar com a participação de líderes religiosos e religiosas, lideranças de movimentos, familiares e amigos "para pedir paz a nossas vidas, segurança a todos e todas nós que diariamente lutamos para expressar nossas lutas e bandeiras".

"Convidamos toda a sociedade civil a se unir a essa causa e dar juntos e juntas basta à violência política", completa.

Os investigadores já colheram depoimentos de 18 pessoas, incluindo testemunhas que estavam no local da festa de aniversário da vítima, seus familiares, assim como os parentes do policial penal. A expectativa da polícia é que o inquérito seja concluído até a próxima terça-feira, dia 19.

Em nota divulgada nesta quinta-feira, a Polícia Civil informou que não há oitivas agendadas para hoje.

"A análise das imagens foi concluída e a equipe de investigação se concentra em diligências complementares", acrescentou.

Segundo testemunhas, Guaranho teria gritado “aqui é Bolsonaro” antes de fazer os disparos. Líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na cidade paranaense e tesoureiro da sigla, Arruda comemorava seu aniversário com uma festa temática do partido.

Colocadas lado a lado e exibidas de forma simultânea, as imagens das duas câmeras de segurança captadas no local do assassinato mostram como se deu o crime:

No dia do crime, o autor teria passado de carro pelo local ouvindo uma música relacionada ao presidente Jair Bolsonaro, o que teria desagradado o aniversariante e provocado a discussão entre eles. A briga terminou na morte do petista. Conforme disse a mãe do policial penal, Dalvalice Rosa, ao portal UOL, Guaranho foi atingido no rosto e nas pernas.

Ao UOL, Dalvice sustentou a tese da testemunha segundo a qual a discussão foi motivada por uma música relacionada a Bolsonaro.

— Estamos sem chão. O que aconteceu tem a ver com extremismo e intolerância política. Eles não se conheciam, e nada mais explica essa tragédia — disse Dalvalice. — Se eu estivesse lá, teria tentado impedir que isso acontecesse. Mal consigo imaginar a dor da outra família. Não se discute sobre religião, futebol, e política. Ninguém ganhou nada com essa provocação, só houve perdedores.

A Justiça expediu na segunda-feira, a pedido do Ministério Público do Paraná, o mandado de prisão preventiva para Guaranho. Ao determinar a prisão preventiva do investigado, a decisão judicial determinou que “resta evidenciado que o flagrado coloca em risco a ordem social, se revelando necessária a contenção cautelar para evitar a reiteração criminosa, sendo que as peculiaridades do caso concreto apontam ser imperiosa a manutenção da segregação cautelar, pois pelo que consta dos autos o flagrado, aparentemente por motivos de cunho político, praticou atos extremos de violência contra a vítima, que sequer conhecia, tendo invadido a sua festa de aniversário e após uma discussão inicial deixado o local, retornando cerca de dez minutos depois armado, efetuando na presença de diversos convidados os disparos de arma de fogo, em decorrência dos quais a vítima faleceu”.

O caso gerou ampla repercussão entre políticos no país, e também na imprensa internacional.

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