Vivi pra contar: 'Cerimônia de abertura vazia não combina com a grandeza e alegria dos Jogos Olímpicos’

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TÓQUIO - Com capacidade para 68 mil pessoas, o Estádio Nacional de Tóquio estava com arquibancadas vazias. Menos de mil pessoas assistiram in loco, nesta sexta-feira, à chegada de mais um Jogos Olímpicos, em uma cerimônia de abertura que vai ser lembrada por quem esteve aqui pelo silêncio ao redor. É que a sobriedade e o esvaziamento, exigências impostas por uma pandemia que ainda nos assola, não combinam com a grandeza e a alegria que esperamos do início do maior evento esportivo do mundo. Esse tipo de espetáculo precisa de gente, que confere à essa reunião única de mais de 200 países uma atmosfera singular.

Para mim, que assistia ao espetáculo da tribuna de imprensa, parecia um ensaio de luxo que durou quase quatro horas. Ao mesmo tempo em que me senti privilegiada de fazer parte de um grupo tão pequeno de convidados, lamentei a cada minuto a falta de outras pessoas à minha volta.

Pontos fortes? Foram poucos: a performance de cinco artistas que reproduziram os 50 pictogramas dos Jogos Olímpicos, com agilidade de encher os olhos, e o momento mais importante da noite: quando, após passar de mãos e mãos entre atletas veteranos, a tocha olímpica foi entregue à jovem tenista Naomi Osaka, com seus dreads vermelhos no cabelo – uma escolha que simboliza o espírito que vai ditar os rumos desses Jogos, pautados pela diversidade, equidade de gênero e posicionamentos políticos. Osaka, uma voz firme do esporte atual, subiu cuidadosamente a escada que abriu à sua frente, acendendo a pira olímpica sobre um palco inspirado no Monte Fuji.

O silêncio não se reproduziu no entorno do Estádio Nacional. Enquanto se fazia um minuto de silêncio em respeito às vítimas da Covid-19, foi possível ouvir o tumulto do lado de fora. Eram japoneses contrários ao evento, mas também os que aguardavam a queima de fogos. O Comitê Organizador de Tóquio-2020 havia prometido uma celebração sóbria, compatível ao momento atual, em plena pandemia da Covid-19. E foi isso que entregaram.

Após início emocionante, com clipe e homenagem aos atletas que em meio à quarentena tiveram de se reinventar para manter a forma, a festa não lembrou outras celebrações que entraram para a História. Ao contrário, foi até triste e deu saudade da abertura grandiosa de Pequim-2008, da festa inteligente de Londres-2012 e da descolada cerimônia do Rio-2016.

O desfile das delegações, ao som de músicas de jogos de videogame japoneses, como Final Fantasy, Dragon Quest e Kingdom Hearts, foi arrastado como todos são. Menos atletas compareceram, o que já era esperado. A maioria dos países esteve no desfile com número considerável de representantes. Alguns causaram aglomerações e não usaram máscaras. EUA, França e Japão, no finalzinho, apresentaram as maiores delegações.

Não havia exigência mínima para representatividade e o Brasil mostrou-se coerente com o momento: enviou apenas quatro pessoas, sendo dois atletas. Bruninho, do vôlei, e Ketleyn Quadros, do judô, passaram rápido pelo gramado e foram embora para a Vila Olímpica antes mesmo do final da cerimônia. Eles emulavam um casal de mestre sala e porta-bandeira, usavam chinelos da marca do patrocinador do Comitê Olímpico do Brasil. Nem o "besuntado de Tonga", como ficou conhecido o lutador Pia Taufatofua, novamente à frente de sua delegação, surpreendeu: sem camisa e com corpo melado em óleo, desta vez estava de máscara (seguindo os protocolos).

Uma surpresa que causou impacto foram os drones voando sobre o Estádio Olímpico formando o planeta Terra. "Imagine", interpretada por diversos cantores, entre eles Angelique Kidjo, John Legend, Keith Urban e Alejandro Sanz, de forma remota, trouxe alguma emoção à festa que, enfim, chegou a arrepiar em alguns momentos. Após mais de três horas, me vi ansiosa para descobrir quem acenderia a pira. Foi o ápice, sem dúvida: Osaka me fez ganhar a noite.

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