Telefônica Brasil, TIM e Claro arrematam principais lotes em 1º dia do leilão de 5G

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Homem fala ao celular enquanto caminha em frente a uma loja da Vivo, no centro do Rio de Janeiro

SÃO PAULO (Reuters) -Telefônica Brasil, TIM e Claro venceram nesta quinta-feira os principais lotes do serviço de 5G no país, no leilão promovido pela Agência Nacional de Telecomunicações que garantiu até agora cerca de 7 bilhões de reais em outorgas.

A sessão foi suspensa por volta das 20h, com os lotes das frequências de 700 MHz, 2,3 GHz e 3,5 GHz leiloados. Ainda falta a faixa de 26 GHz, que será leiloada na manhã de sexta-feira e é voltada à transmissão de dados em larga escala com aplicações que incluem automação industrial e no agronegócio.

O principal lote do serviço 5G, de 3,5 GHz, teve pouca disputa, com as três maiores operadoras do país arrematando cada uma suas frequências no espectro. A Telefônica Brasil ofereceu 420 milhões de reais, ante preço mínimo de 321,4 milhões. TIM e Claro ofertaram 351 milhões e 338 milhões de reais, nesta ordem.

As obrigações de investimento neste lote beiram 30 bilhões de reais e incluem despesas com limpeza do espectro hoje usado por consumidores de baixa renda de serviços de TV por satélite.

Além disso, as três operadoras terão que oferecer serviços 5G em 1.174 cidades do país com mais de 30 mil habitantes cada até 2029, além de construir infraestrutura de fibra óptica de ao menos 1 gigabit por segundo, segundo relatório do BTG Pactual.

O quarto bloco nacional na frequência de 3,5 GHz ficou sem ofertas, pois 12 outras empresas menores inscritas no leilão não apresentaram propostas e as três operadoras maiores ficaram impedidas de disputá-lo, pois já tinham vencido anteriormente.

Com isso, o bloco B4 foi dividido em partes menores, com as três operadoras - Telefônica Brasil, Claro e TIM - conseguindo espectro adicional para complementar a oferta de 5G, pelo preço mínimo definido no edital, de 80,3 milhões de reais cada. O quarto sub-bloco ficou sem ofertas.

Apontado por membros do governo como o "maior leilão de frequências" já realizado no país, o certame não tem caráter arrecadatório, segundo seus organizadores, mas tem como objetivo atrair bilhões de reais em investimentos nos próximos anos.

O leilão começou com mais de uma hora e meia de atraso devido a uma cerimônia, na qual o presidente Jair Bolsonaro discursou sobre temas que incluíram dificuldades na obtenção de licenças para pilotos de jet ski e pesca no lago de Itaipu.

NOVA OPERADORA EM 700 MHz

Além da frequência de 3,5 GHz, que permite o chamado "5G puro", o leilão vendeu também a faixa de 700 MHz nacional, que havia ficado vazia em 2014 e que agora servirá para oferta de serviços 5G e obrigações de cobertura em 4G. A vencedora dessa frequência foi a Winity Telecom, do Patria Investimentos, que tem foco em clientes corporativos.

A Winity, que ofereceu 1,427 bilhão de reais, ágio de cerca de 805% sobre o preço mínimo, será assim uma nova operadora nacional de telefonia móvel, concorrendo com Telefônica Brasil, dona da marca Vivo, além de TIM e Claro.

A Winity afirmou que investirá 2 bilhões de reais para implantar 5 mil torres de telefonia no país até 2029. Entre as obrigações da empresa, está a implantação de serviços 4G em 35 mil quilômetros de trechos de rodovias hoje sem cobertura.

Nos lotes regionais na frequência de 3,5 GHz a surpresa foi o lance de 1,25 bilhão de reais da Brisanet pelo lote C4, da região Nordeste. Única rival na disputa, a Meganet ofereceu cerca de 9 milhões de reais, o mínimo definido no edital.

O valor de 1,25 bilhão de reais é próximo do levantado pela Brisanet no IPO neste ano. A ação da empresa, que chegou a cair 13% após o lance, fechou em alta de 1,7%. Além do lote C4, a Brisanet conseguiu mais dois lotes, o C5, na região do Centro-Oeste, e o E4, no Nordeste, mas na faixa de 2,3 GHz. No total, as outorgas da empresa somaram 1,47 bilhão de reais.

2,3 GHz

A disputa pelo bloco E, de frequências regionais na faixa de 2,3 GHz e voltada para áreas mais densamente povoadas, foi mais intensa. A faixa será dividida com prestação de serviços 4G inicialmente e tem como obrigação a cobertura de 95% da área urbana dos municípios que hoje não têm rede 4G.

A Claro obteve cinco dos oito lotes em disputa -- E1, E3, E5, E6 e E8 -- com desembolso de 1,2 bilhão de reais. A Brisanet conseguiu o bloco E4 com lance mínimo de 111,8 milhões de reais e a Telefônica ficou com o lote E7, com lance de 176,4 milhões de reais, ágio de cerca de 124%.

No bloco F, também de frequências regionais na faixa de 2,3 GHz, a disputa foi intensa, mas a maior parte das ofertas ficou concentrada entre Telefônica Brasil e TIM.

A Telefônica arrematou os lotes F1, F3 e F5, com outorgas somando 290 milhões de reais, e a TIM ficou com os lotes F6 e F7, somando outorgas de 544,5 milhões. Algar Telecom obteve o F8 com lance de 57 milhões de reais depois de 10 fases de ofertas contra a TIM. O lote F4 ficou sem interessados.

O edital determina que todas as capitais do país devem ter serviços 5G funcionando a partir de julho de 2022 e a Anatel tem afirmado que o leilão deve movimentar investimentos nos próximos 20 anos no setor da ordem de 170 bilhões de reais.

(Por Alberto Alerigi Jr. e Gabriel Araujo, edição Aluísio Alves)

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