Vizinhas relatam medo após receberem doses de imunizantes diferentes em Caxias; especialistas alertam para riscos

Marcos Nunes
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RIO — O alívio de ser vacinado contra a Covid-19 se transformou em incerteza para duas aposentadas, de 71 anos e de 74 anos, respectivamente. Vizinhas em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, elas receberam a primeira dose da CoronaVac, no dia 24 de março. No dia 20 abril, elas tomaram a segunda dose de imunização. Um dia depois, ao olhar o verso do comprovante de vacinação, uma delas descobriu que ambas haviam sido imunizadas com uma vacina diferente da que foi aplicada na primeira etapa.

De acordo com o documento, a segunda dose que as aposentadas receberam era da Oxford/Astrazeneca. Especialistas dizem que isso não deve acontecer e que a ciência ainda não sabe as consequências para a imunização do uso de doses de vacinas diferentes.

Leia mais: vacinação avança no estado do Rio, mas 38 cidades imunizaram metade dos idososNão é um caso isolado. Segundo o Ministério da Saúde, foram 16.481 ocorrências no país. Na cidade do Rio, houve cem casos entre 444.324 pessoas imunizadas, que estão sendo acompanhadas por médicos.Já a Secretaria estadual de Saúde não informou quantas situações semelhantes ocorreram em todo o estado do Rio. As idosas de Caxias, que pediram para ter os nomes preservados, afirmam que não sabem como buscar uma solução para a troca de vacinas.

A filha de uma das idosas contou que, no dia 24 de março, levou a mãe e a vizinha a um posto que funcionava em esquema drive-thru, no Bairro Sarapuí. De lá, saíram com orientação para voltar em 12 de abril para receberem o reforço da vacina. Ao voltarem, não encontraram a estrutura do drive-thru. No dia 20, procuraram outro posto, também em drive-thru, no bairro Dr.Laureano, no Centro, e receberam a segunda dose após entregarem suas carteiras de vacinação. Só no dia seguinte perceberam a confusão.— Elas foram vacinadas e voltamos para a casa. Depois, minha mãe até sentiu dores na perna e moleza, mas não teve nada sério. Um dia depois, minha vizinha ligou e pediu para eu olhar o comprovante. As duas estão com medo — diz a filha. Amílcar Tanuri, médico virologista e chefe do laboratório de virologia molecular do Instituto de Biologia da UFRJ, diz que as duas devem ser acompanhadas por médicos para saber se chegaram a produzir anticorpos:

Também:morre idosa que se infectou após cirurgia ortopédica no Hospital Adão Pereira Nunes, em Caxias— É um fato inusitado. Tem que ser estudado — explica Tanuri.Presidente da Sociedade de Infectologia do Rio, a médica Tânia Vergara observa que não se conhece a possível eficácia da imunização com duas vacinas diferentes.— Não sabemos se alcança um benefício — afirma.A Prefeitura de Caxias informou que a Secretaria de Saúde não foi notificada e recomendou que as duas idosas procurem Centro Municipal de Saúde, no Centro do município.