Vizinhos do presidente da Cedae reclamam de água com gosto e cheiro ruins: 'Sentimento é de impotência, diz moradora'

Luã Marinatto
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Edes Fernandes de Oliveira, presidente da Cedae, foi categórico: disse que, em casa, está bebendo água da torneira, por "confiar plenamente" nos técnicos da concessionária. Na mesma entrevista ao "Bom dia, Rio", da TV Globo, em que minimizou o risco do retorno da geosmina para a saúde dos consumidores, ele afirmou ainda que, na região mora, não há qualquer registro de odores ou sabores estranhos. Contudo, a 300 metros da casa de Edes, na mesma Rua Comandante Rubens Silva, na Freguesia, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, a situação é bem mais complicada do que a relatada pelo presidente da companhia.

Segundo moradores, a busca por água mineral aumentou rapidamente nos últimos dias, desde que voltaram a surgir casos de má qualidade no fornecimento em diversos pontos da cidade e do Grande Rio. A servidora pública Marli Soares, de 67 anos, passou os últimos 15 dias na Região dos Lagos, e não vinha enfrentando nenhum problema até então. De uma semana para cá, a irmã, que mora na mesma vila, informou diariamente a piora no cenário. Prestes a voltar para casa, ela terá que levar um item diferente na bagagem: galões de água mineral, que são adquiridos por um preço muito mais baixo em Cabo Frio do que na Freguesia.

- Ainda não está vindo com coloração escura, mas o gosto e o cheiro estão muito fortes, ninguém está conseguindo beber ou tem coragem de usar para cozinhar. O sabor é de lama mesmo, não tem como. Minha irmã já avisou que está todo mundo comprando água mineral nos comércios da região,e tudo acaba indo embora rápido - conta Marli, que desabafa: - É tanto problema no nosso país que a gente perde até a capacidade de se chocar, vira rotina. Mas água é a coisa mais básica, fica difícil aguentar. O sentimento é de impotência.

Não muito longe da vila onde vive a servidora pública, em um condomínio quase em frente ao endereço do presidente da Cedae, os moradores enfrentam outro - e antigo - problema: a falta frequente de água. Em uma situação que se repete todo verão, as interrupções no abastecimento são constantes, assim como a demora acima do normal para que o fornecimento seja normalizado. O jeito, mais uma vez, é recorrer, além dos carros-pipa, à compra de água mineral.

- Eu nem sabia que o presidente da Cedae morava tão perto, não o conheço. Mas aqui no prédio a gente enfrenta esse problema há muito tempo. Essa semana mesmo tivemos que recorrer a um carro-pipa - diz uma moradora que prefere não se identificar. Ela chega a consumir cinco garrafas de água mineral por dia para suprir as necessidades da família de três pessoas.