Vizinhos reclamam de praça fechada com água parada na Aclimação, em SP

CLAYTON FREITAS
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Desde os 5 anos de idade, Angela Valério Ferreira Matzick, hoje com 63 anos, frequenta a praça General Polidoro, no bairro da Aclimação, região central de São Paulo. Há dois anos, ela e o marido, Cláudio Matzick, 70, foram obrigados a trocar a caminhada que faziam no local com seus simpáticos chihuahuas pela calçada do entorno, já que a praça está fechada desde 2019 e sofre com o abandono e água acumulada, um cenário perfeito para proliferação do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão de dengue, chikungunya, zika e febre amarela. "Era um lugar [a praça] que todos frequentavam para passear, eram realizadas confraternizações, podíamos sentar, bater um papo, as escolas infantis promoviam festas. Agora está aí, cheia de mosquito da dengue", afirma Angela. A reportagem constatou claros sinais de abandono. O mato está alto, as folhas secas se acumulam, a borda da fonte inoperante há anos está danificada, bem como um pedaço da bela escultura, que está encardida e rodeada de água de chuva parada. Procurada, a Subprefeitura da Sé disse que fará vistoria no local a fim de verificar a denúncia de possíveis criadouros do aedes Aegypti e realizar os serviços de zeladoria necessários. Além de ser um ponto de encontro dos moradores do entorno, que levavam seus pets para passear e onde as crianças brincavam, a relevância da praça pode ser medida pela sua importância histórica. A divisão dessa área onde deu origem ao bairro da Aclimação. A praça, em formato circular, é como se fosse uma grande rotatória onde desembocam ruas em formato de leque, todas com nome de pedras preciosas: Topázio, Turmalina, Ágata, Diamante, Esmeralda e Rubi. O centro da praça conta com uma fonte, e, no meio dela, uma escultura de três metros de altura retrata o símbolo olímpico do Discóbolo. A obra, que representa um atleta momentos antes de lançar um disco, é feita em argamassa, concreto e bronze, e é de autoria do escultor Ottone Zorlini em 1945 (há 76 anos). E é essa estátua o "alvo" da consultora de projetos sociais Paula Tubelis, 43. Inconformada em ver o acúmulo de água da chuva e receosa do local já servir de criadouros do mosquito da dengue, ela vai até o portão principal e, mesmo do lado de fora, mira em direção ao Discóbolo e arremessa pastilhas de cloro na esperança de que elas caiam na água da chuva parada e neutralize a proliferação dos mosquitos. "As pastilhas eram para a banheira da minha casa. Acabei comentando esse problema com o vendedor e ele disse que seria bom também. Daí eu venho aqui e arremesso", afirma Paula. O fotógrafo Paulo Fasanella, 55, disse que havia uma placa no local anunciando uma reforma que teria investimento de R$ 300 mil. "A gente não consegue identificar onde é que essa verba seria investida. Está cheio de água e é um tremendo perigo devido à dengue. Eu gostaria de ter a praça de volta", afirmou. OUTRO LADO Apesar de parques municipais, tais como o vizinho parque da Aclimação, e o mais famoso da capital, o Ibirapuera, estarem abertos mesmo nas atuais restrições do Plano São Paulo, a Subprefeitura Sé, da gestão Bruno Covas (PSDB), disse que fechou o local para evitar aglomerações. A nota afirma ainda que a revitalização consumiu R$ R$ 272.918,70 e ocorreu entre 1º de outubro de 2019 a 16 de maio de 2020. As obras incluíram reconstrução do sistema de drenagem de águas pluviais internas e transporte dessas águas até a rede pública existente mais próxima e serviços de manutenção das alvenarias e gradil externo; reconstrução de novas caixas de captação e tubulação de drenagem das águas pluviais, execução de novo piso em concreto; manutenção das alvenarias aparentes das floreiras, escadas e orlas dos canteiros; manutenção dos gradis e suas muretas com pintura; e implantação de novo paisagismo. Segundo a prefeitura, não foram realizadas obras no chafariz e estátua, por se tratar de uma de obra de arte, e integrar o acervo sob os cuidados da Secretaria Municipal de Cultura.