Você é um nômade de carreira? Conheça o profissional que ganha mais que especialista

Letycia Cardoso
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Nômades de carreira conseguem salários melhores que especialistas por poder de negociação

A evolução da tecnologia, ciclos mais curtos de negócio e crises na economia mudaram a forma com que as pessoas se relacionam com seus empregos. Surgiram os nômades de carreira: trabalhadores confiantes, otimistas e curiosos que não têm medo de abandonar seus postos para buscar oportunidades que atendam melhor seus objetivos.

E nesse "troca troca" de empresa, os nômades de carreira acabam ganhando salários até maiores que os especialistas. Isso porque, durante a mudança de vaga, conseguem negociar salários melhores e receber aumentos em intervalos menores que os profissionais que apenas esperam o reconhecimento da empresa onde trabalham.

Segundo um levantamento internacional feito pela consultoria Korn Ferry, que analisou 162 organizações e 683 indivíduos, pessoas com alta tolerância à ambiguidade têm, em média, 2,5 vezes mais chances de se tornarem nômades de carreira. Já as altamente curiosas têm 2,2 vezes mais chances de aderirem a este perfil profissional.

Para a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Rio de Janeiro (ABRH-RJ), Lucia Madeira, a decisão de mudar de trabalho tem mais a ver com o momento de vida do que com características de personalidade. Somado a isso, diz que as pessoas perceberam que não existe mais “emprego pra vida toda”.

— Aqueles sem tantos compromissos na vida pessoal, sem filhos, podem se dar o direito de experimentar outros trabalhos. Isso não está atrelado à idade, mas aos vínculos que possui — diz.

A professora universitária e empreendedora digital Mariana Torres, de 37 anos, por exemplo, já trocou de emprego cinco vezes. Em um deles, permaneceu na função por apenas um ano e meio. Ela conta que, no início, as transições eram motivadas pelo desejo de alavancar a carreira. Dessa forma, galgou cargos até virar gerente de recursos humanos. Depois, com o nascimento do filho, as prioridades mudaram e ela decidiu empreender na internet.

— Queria liberdade geográfica e para fazer meu próprio horário. Não queria mais participar de reuniões desnecessárias. Me organizei e deu certo — comemora.

 

Os especialistas sempre foram muito contemplados no mercado de trabalho. No entanto, em um momento em que as empresas enxugam, cada vez mais, os quadros de funcionários, os profissionais generalistas têm ganhado destaque. Isso porque são capazes de se adaptar com mais facilidade, aprender coisas novas e suprir necessidades das organizações.

Lúcia Madera, presidente da ABRH-RJ, ressalta que os profissionais com habilidades diversificadas encontram mais oportunidades:

— São funcionários interessantes que podem trazer visões diferentes. Mas, para mantê-los motivados, a empresa tem que estar sempre criando novos desafios.

Outro ponto positivo, de acordo com a especialista em liderança Rosa Bernhoeft, é estarem dispostos à construção do conhecimento coletivo.

— São pessoas abertas, que desejam sentir que estão influenciando decisões e a realidade de onde trabalham.

 

Os nômades de carreira costumam mudar de emprego em intervalos de quatro anos ou menos, podendo passar por 12 a 15 empresas ao longo de toda a carreira.

Se, por um lado, eles trazem inovação e criatividade para a equipe, por outro causam prejuízo quando decidem abandonar a vaga. De acordo com a pesquisa da Korn Ferry, os custos para substituição desses talentos podem variar de 50% a 75% do valor anual de seus salários, após contabilizar o recrutamento, o treinamento e a integração na firma. Além disso, a perda de produtividade pode ser equivalente a um quarto do salário anual, para funções menos complexas, até 2,5 vezes o salário para altos cargos, como o de liderança executiva.

Por isso, para reter esses funcionários, a recomendação é oferecer equilíbrio entre vida pessoal e trabalho; melhorar o bem-estar do empregado e a eficácia do líder; e também oferecer um plano de carreira.

O analista de marketing pleno Leonardo Alves, de 28 anos, trocou de emprego três vezes nos últimos quatro anos. Em uma das ocasiões, permaneceu apenas seis meses na vaga porque não gostou da estrutura da empresa.

— Eu não tinha muitos benefícios e não era valorizado. Aí percebi que era a hora de mudar — conta: — Não é saudável estar em um lugar em que passamos a não nos sentir bem, nosso rendimento diminui muito.

A especialista em liderança e gestão de executivos, Rosa Bernhoeft, destaca que os líderes têm influência significativa na rotatividade das empresas. Segundo ela, os chefes autoritários afastam colaboradores porque cerceiam liberdades; os que não delegam, porque não confiam em seus subordinados; e os que não têm habilidades interpessoais, porque tratam com grosseria os funcionários.

— Bons líderes não devem se preocupar apenas em gerar estabilidade para o negócio, mas também em proporcionar ambientes saudáveis para que as pessoas entreguem resultados de qualidade — diz Rosa.

PERFIL DOS NÔMADES DE CARREIRA

Principais características
- Curiosidade intelectual
- Habilidades de influência
- Abertura a diferenças
- Tolerância de ambigüidade

Por que decidem trocar de emprego?
Para alavancar suas habilidades em melhores contextos
Para se alinhar com o propósito da empresa
Para ser conhecido

Segmentos com maior % de nômades de carreira
- Viagem/Lazer/Hospitalidade - 17%
- Transportes e Logística - 15%
- Bens de consumo - varejo - 11%%
- Recursos naturais - 10%

Benefícios para as companhias
Nômades criam 15% a 33% a mais valor para suas empresas, dependendo da complexidade do trabalho
Pela fácil adaptabilidade, aceleram o processo de preenchimento de vagas em 10 dias, aumentando a produtividade da empresa por consequência

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