Você já ouviu falar em romance sáfico? Livro viraliza em redes sociais em onda favorável a temática LGBTQIAP+

Romance, amizade, arrependimento, velhice e viagem no tempo. O livro "Até Logo, Violeta", da autora Maria Freitas, reúne diversos elementos que prometem mostrar ao leitor a força e a perseverança do amor ao longo do tempo. Com uma abordagem mais plural e diversa, a história, que foi um dos trending topics do Twitter nesta terça-feira (22/11), perpassa a infância e maioridade de duas amigas que se apaixonam, mas não podem afirmar esse sentimento devido ao medo. Uma segunda chance, contudo, é dada a elas quando uma viajante do tempo possibilita um reencontro e a consequente retomada do amor. Contos com personagens diferentes da norma heteronormativa, dominante na sociedade, têm sido cada vez mais procuradas por leitores. Gerente-geral de livros na Amazon, Ricardo Perez afirma que a venda de romances LGBTQIAP+ aumentou.

Mas o que é um livro sáfico? A criação da autora Maria Freitas é considerada sáfica porque as personagens mulheres se identificam com os próprios gêneros, mas têm sexualidades diversas dentro da sigla LGBTQIAP+. Livros sáficos podem ter protagonistas mulheres, em que uma é lésbica e a outra é bissexual, por exemplo, ou uma delas é pansexual e a companheira é fluida. A própria Maria se identifica como uma mulher não-binária e bissexual. "Até logo, Violeta" foi para os trending topics do Twitter no primeiro dia de lançamento com venda a R$ 1,99.

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Em "Até Logo, Violeta", além da pluralidade das protagonistas Violeta e Liz, conta ainda com a viajante do tempo, que é uma personagem não-binária e não segue limites dentro das definições de gênero atribuídas ao homem e à mulher. Segundo a autora, um dos objetivos de seu trabalho é mostrar que as pessoas LGBTQIAP+ são merecedoras e podem acreditar no amor.

– Eu acredito que o amor resiste ao tempo, mas nem sempre foi assim. Só quando conheci minha companheira, com quem estou há 10 anos, é que pude mudar minha forma de pensar. É muito difícil encontrar romances protagonizados por pessoas LGBT e elas merecem histórias grandiosas de amor, de segundas chances, de resistência ao tempo. Por que não acreditar que um viajante do tempo pode trazer de volta um amor? – questiona Maria.

Sobre a viajante, a escritora brinca fazer parte da sua "dupla personalidade", já que ela se identifica como "nerd" e também como uma apaixonada por "novelas mexicanas", que a inspiram com os amores carregados de drama.

– Eu sou graduada em Novela Mexicana – brinca, Maria – Adoro mesclar ficção, fantasia e romance, principalmente aqueles que não se resumem a personagens cisgênero. Precisamos de histórias que sejam mais do que Romeu e Julieta, precisamos de Julieta e Julieta também – reforça, mencionando já ter pelo menos 20 livros publicados em apenas cinco anos de carreira.

Venda de romances sáficos

Quatro livrarias online foram procuradas pelo GLOBO a respeito da venda de romances sáficos, mas apenas retornou com dados sobre este nicho de mercado a Amazon Brasil. Segundo Ricardo Perez, gerente-geral de Livros, houve "um crescimento geral da demanda e dos títulos tanto em livros físicos como digitais para todos os gêneros, inclusive de ficção científica e romances LGBTQIAP+".

Ricardo também chamou atenção para o modelo de autopublicação adotado por Maria Freitas. Ela utilizou a ferramenta Kindle Direct Publishing (KDP) que tem contribuído para popularizar lançamentos e democratizar a publicação de conteúdos sem que os autores fiquem tão dependentes das editoras.

"A obra 'Até Logo Violeta', da autora Maria Freitas, que entrou hoje em pré-venda, tem se destacado com os clientes. A autora publicou o livro com a ferramenta de autopublicação do KDP, que permite que autoras independentes publiquem seus livros por conta própria e os disponibilizem para leitores de forma rápida e gratuita, alcançando o seu público".