Você ouve as vozes dos personagens quando lê? Existe um nome para isso...

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Você está no auge daquela trama literária, quando começa a escutar vozes dos personagens ou do narrador – ou de todos os envolvidos na história – e, mesmo depois que fecha o livro, as vozes continuam na sua cabeça… Não é cansaço ou loucura. De acordo com estudos, trata-se do fenômeno nomeado “experiential crossing”, vivido por mais da metade dos leitores de livros.

Em 2014, o jornal The Guardian se juntou a pesquisadores da Universidade de Durham para investigar “essas vozes”. A equipe entrevistou mais de 1.500 leitores no Edinburgh International Book Festival e 50% deles relataram ouvir vozes durante leituras. Um em cada sete dos participantes contou escutar conversas com intensidade, como se duas pessoas estivessem conversando no mesmo ambiente.

Do total, 400 deles relataram experiências sensoriais além de escutar vozes, como sentir aromas e presenciar efeitos sonoros. O estudo mostrou que 82% dos leitores se sentem envolvidos à trama, mesmo que se trate de um livro de ficção. O fenômeno também ocorre entre escritores, durante a produção de histórias.

A cientista Ruvanee Vilhauer, da Universidade de Nova York, analisou postagens feitas no Yahoo! Answers sobre o assunto. Ela concluiu que 82,5% dos participantes da pesquisa já tiveram experiências sensoriais ao ler um livro. A maioria dos leitores parte do estudo agiu com normalidade em relação a escutar vozes de personagens e apenas 10% se mostraram surpresos.

Por que acontece?

Pesquisadores acreditam em dois tipos de experiências para justificar o fenômeno. A identificação pessoal com o personagem, que pode levar o leitor a imaginar uma voz semelhante a dele próprio. E quando o personagem remete a um amigo ou membro da família, casos em que é comum o leitor “escutar” a voz da pessoa em questão.

Ouvir vozes durante a leitura de um livro possibilita viver uma experiência mais profunda. A mesma teoria vale para a formação mental de imagens, paisagens e outras figuras relacionadas à história. Estudos mostraram que pessoas que falam com elas mesmas têm mais tendência ao experiential crossing.