Volkswagen paralisa produção de veículos no Brasil devido à escassez de chips

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SÃO PAULO — A Volkswagen anunciou nesta sexta-feira que vai paralisar linhas de montagem de suas fábricas no Brasil por falta de insumos, especificamente de semicondutores usados nos painéis dos veículos.

A companhia vai parar por dez dias suas áreas produtivas nas fábricas de São Bernardo do Campo e São Carlos, em São Paulo, e de São José dos Pinhais, no Paraná, a partir de 21 de junho.

O problema de abastecimento tem sido enfrentado por toda a indústria automotiva, que enfrenta globalmente problemas de escassez na cadeia global de suprimentos desde o fim do ano passado.

"Uma escassez significativa de capacidades de semicondutores está levando a vários gargalos de fornecimento em muitas indústrias globalmente (telecomunicação, computação, eletroeletrônicos e smartphones). Isso também gerou problemas no abastecimento da indústria automotiva ao redor do mundo (...). O resultado são adaptações em toda a indústria", explicou a empresa em comunicado.

A Volkswagen diz em nota que “há sérios riscos de agravamento dessa situação nas próximas semanas” e não descarta novas paralisações “caso o cenário global de fornecimento de semicondutores permaneça crítico, impactando diretamente as atividades de produção da empresa no Brasil”.

A empresa afirma que “tem trabalhado intensamente, em parceria com a matriz e fornecedores, para minimizar os efeitos da escassez de semicondutores para a produção em suas fábricas no Brasil”, mas que no cenário atual ainda não há “encaminhamento para uma solução definitiva” para normalização do fornecimento de chips.

O problema de falta de matéria-prima para a produção de veículos já afetou neste semestre a produção da General Motors, da Honda e da Hyundai no país.

A questão é considerada um efeito colateral da pandemia do coronavírus, que levou a China, principal produtora dos semicondutores, a redirecionar parte de sua produção ao mercado interno e a regiões e segmentos econômicos com maior poder de compra.

O setor automotivo, nessa dinâmica, perde a preferência para setores como os de celulares, TVs, monitores e games, que pagam mais pelas peças.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) tem dito que o problema causou um "teto técnico" para a pdorução de veículos noa país. Em maio, as montadoras produziram 192,8mil unidades, apenas 1% a mais do que em abril.

A entidade prevê que o problema se alongue até os primeiros meses de 2022. Um único veículo pode ter até 600 semicondutores em seus sistemaseletrônicos responsáveis por áreas como motorização, câmbio e entretenimento.

O presidente da associação, Luiz Carlos Moraes, já disse que a crise dos semicondutores, que têm a produção concentrada na Ásia, deveria estimular o Brasil a produzir localmente os componentes para reduzir sua dependência. Segundo ele, Estados Unidos e Europa têm buscado têm agido nesse sentido.