Volkswagen vai suspender produção no país por 12 dias corridos

O Globo
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Carro preto da Volkswagen com logo da empresa destacado
A partir de quarta-feira (24), as atividades de produção das fábricas da Volkswagen de São Bernardo do Campo (SP), Taubaté (SP), São Carlos (SP) e São José dos Pinhais (PR) estarão suspensas até o dia 4 de abril. (Getty Images)
  • Empresa vai parar por conta da pandemia

  • Intuito é "proteger funcionários e familiares"

  • Medida começa a valer na próxima quarta-feira

Com Redação Yahoo

A Volkswagen do Brasil vai suspender a sua produção no país por 12 dias corridos. A decisão foi tomada, segundo a empresa, por causa do agravamento do número de casos da pandemia e o aumento da taxa de ocupação dos leitos de UTI nos estados brasileiros.

"A empresa adota esta medida a fim de preservar a saúde de seus empregados e familiares. Nas fábricas, só serão mantidas atividades essenciais", disse em nota.

A partir de quarta-feira (24), as atividades de produção das fábricas da Volkswagen de São Bernardo do Campo (SP), Taubaté (SP), São Carlos (SP) e São José dos Pinhais (PR) estarão suspensas até o dia 4 de abril.

Os empregados da área administrativa atuarão em trabalho remoto. A medida foi tomada em conjunto com os Sindicatos locais.

Ford já anunciou que não produz mais no Brasil

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico (Dieese), órgão de pesquisa ligado ao movimento sindical, divulgou um novo estudo que avalia os impactos mais imediatos do fechamento das fábricas da Ford no Brasil, anunciado no início do mês passado.

Segundo o instituto, foram cerca de 124 mil postos de trabalho perdidos, considerando os cortes iniciais, de 5 mil postos, mais outros empregos diretos e indiretos.

A Dieese estima ainda que o impacto negativo na arrecadação seja da ordem de R$ 3 bilhões ao ano.

Desde o anúncio da saída da Ford, órgãos sindicais e concessionárias vêm revelando os impactos da saída da montadora, que há um século produzia seus carros no Brasil.

No mês passado, segundo reportagem da UOL, concessionárias pelo país já registravam falta de peças para modelos da montadora, como Ka e Ecosport, e notificações do Procon.

O que dizia o documento da Ford

A reportagem obteve acesso a documento distribuído pela Abradif (Associação Brasileira dos Distribuidores Ford) a revendedores da marca:

"A Abradif, tendo tomado conhecimento através suas associadas que os Procons locais já estão procedendo com o envio de notificações administrativas, motivadas principalmente (pelas informações que nos chegam) de que já há falta de peças de reposição e acessórios, está preparando uma nova notificação a ser endereçada à Ford", diz o texto.

A decisão da Ford de fechar suas fábricas no Brasil foi anunciado no dia 11 de janeiro, inclusive a de Camaçari (BA), onde são produzidos o Ka e o EcoSport.

A planta de Camaçari foi imediatamente paralisada após o anúncio, e não voltará a ser reativada.

A montadora tinha 6.171 funcionários no Brasil, e apenas uma pequena parte da operação, como vendas e assistência técnica, deve se manter no país.

Carro da Ford com logo da marca em destaque
Ford deixou o Brasil (Getty Images)

A Ford, em comunicado, alegou ociosidade da produção, agravada pela pandemia do novo coronavírus.

Desde 2019, ao menos 13 multinacionais de vários setores deixaram o Brasil, num movimento que agrava ainda mais o desemprego no país, que atualmente atinge cerca de 14 milhões de brasileiros.

A crise gerada pela pandemia numa economia já estagnada e a baixa competitividade do país afastam investimento estrangeiro e aceleram a ‘desindustrialização’ do Brasil. Entre 2000 e 2019, a participação da indústria de transformação no PIB (Produto Interno Bruto) passou de 13,1% para 10,1%.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta quarta-feira (3) uma queda de 4,1% no PIB em 2020, com a atividade econômica registrando a maior contração desde o início da série histórica atual do IBGE, em 1996. A indústria recuou 3,5% e o setor de serviços despencou 4,5%.

A economia já patinava mesmo antes da pandemia do coronavírus.

Desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu, em janeiro de 2019, deixaram o Brasil:

  • Ford: Montadora americana anunciou o fechamento de três unidades no país e a demissão de 5 mil pessoas. Os veículos vendidos no Brasil serão produzidos na Argentina.

  • Mercedes-Benz: A empresa alemã deixou de fabricar carros no Brasil, com o fechamento de uma de suas fábricas. A Mercedes segue com duas unidades ano Brasil, onde só produz caminhões. Em comunicado, a empresa afirma que a decisão foi por conta do ambiente de negócios desfavorável e da queda nas vendas de automóveis premium no país.

  • Audi: Montadora alemã deixou de produzir o A3 no Paraná, em dezembro, e ameaça fechar a produção de seus veículos no Brasil. O motivo seria o fim dos incentivos federais à produção desse segmento de veículos e o ambiente difícil de negócios.

  • Sony: A fabricante japonesa de TVs e câmeras fechou sua fábrica de Manaus, com 220 funcionários. As instalações foram vendidas para a brasileira Mondial, que deve produzir TVs, micro-ondas e aparelhos de ar condicionado. A empresa alegou que o “ambiente de marca e a sustentabilidade dos negócios” a levaram a sair do Brasil.

  • Roche: Farmacêutica suíça anunciou, em 2020, o fechamento de sua fábrica com 440 funcionários no Rio em até cinco anos. Em comunicado, afirmou que quer focar em produtos de alta complexidade.

  • Eli Lily: No país desde 1953, a farmacêutica americana deixou o Brasil em 2020 e transferiu a produção para Porto Rico.

  • Forever 21: A rede americana decidiu fechar este ano as 11 lojas no Brasil em desacordo com shoppings por aluguel.

  • Walmart: Neste caso, o maior grupo varejista do mundo vendeu 80% de sua operação brasileira a um fundo de investimentos. A decisão, segundo a rede americana, foi parte de um ajuste global.

  • Lime: A multinacional de compartilhamento de patinetes anunciou o encerramento de suas atividades no Brasil em janeiro de 2020, seis meses depois de desembarcar no Rio e em São Paulo. A empresa americana disse que a medida era “parte de uma estratégia global para alcançar sustentabilidade financeira”.

  • Kiabi: A marca francesa encerrou operação em janeiro deste ano para investir em mercados mais consolidados. A marca tinha duas lojas em SP.

  • Glovo: A empresa de aplicativos espanhola encerrou suas atividades no Brasil em 2019, um ano depois de chegar ao país.

  • Wendy’s: Com quatro lojas em São Paulo, a rede americana de hambúrguer fechou suas unidades no Brasil em 2019, mas não informou os motivos dessa decisão.

  • Hooters: A rede norte-americana encerrou em 2019 suas atividades no Brasil.