De volta à África do Sul, miss Universo inspira jovens negras

Por Yolanda MDZEKE et Lauriane VOFO KANA
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Nova Miss Universo, a sul-africana Zozibini Tunzi, em Johanesburgo, em 13 de fevereiro de 2020

Seu cabelo crespo curto e seu discurso feminista impressionam e inspiram jovens admiradoras na África do Sul. A nova miss Universo, Zozibini Tunzi, é aclamada em sua volta para casa.

De brincos azuis e com um vestido de estampa africana, Zozibini sorri e saúda as pessoas nas ruas, em desfile em carro aberto em Johanesburgo.

"Aceite e até venere seu cabelo natural. Queremos que nossas filhas façam o mesmo", diz a cabeleireira Millicent Manyike, de 28 anos, que foi admirar a miss coroada em dezembro passado nos Estados Unidos.

"É importante para nós, garotas negras, que tenhamos uma representação da nossa identidade", afirmou a estudante Lebogang Petje, de 18 anos.

"Ela é uma verdadeira inspiração. Me orgulha ver uma Miss Universo tão natural", elogiou.

Depois de uma viagem pelos Estados Unidos e pela Indonésia, Zozibini Tunzi retornou para seu país.

"Não sabia que seria Miss Universo, porque não acreditava que fosse possível para uma pessoa como eu", comentou, referindo-se à sua cor de pele e ao cabelo crespo e curto.

- Programa para as mulheres -

A sul-africana, de 26 anos, também se apresenta como defensora das causas das mulheres.

"Uma das coisas mais importantes é a emancipação das mulheres", frisou.

Sua condição de Miss Universo lhe permite "educar as pessoas sobre a violência contra as mulheres", apontou hoje uma de suas admiradoras, vestida com uma camiseta com a frase "Um mundo sem estupro e sem violência".

Com a coroação de Zozibini Tunzi, "agora as garotas negras podem sonhar. Nada pode nos deter", acrescentou Athabile Nkatali, uma sul-africana de 35 anos.

O concurso de Miss Universo "comercializa as mulheres", mas a vitória de Zozibini é "uma conquista para uma jovem negra que veio do interior", completou.

Originária da província de Cabo Oriental (sudeste), ela deve assistir hoje à noite ao discurso anual do presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, à nação.

"Quero ver se ele tem um programa para as mulheres", disse Zozibini nesta quinta-feira.

Os feminicídios são um flagelo na África do Sul, país marcado pela violência. Uma mulher é assassinada no país a cada três horas e, por dia, a polícia registra 110 denúncias de estupro, segundo estatísticas oficiais.

Recentemente, Cyril Ramaphosa comparou o nível de violência infligida às sul-africanas "com o de um país em guerra" e lançou uma campanha nacional de mobilização contra esta calamidade.

No concurso, a nova Miss Universo desfilou com um vestido costurado com mensagens de amor destinadas às mulheres, escritas por homens sul-africanos.