Volta às aulas presenciais na rede municipal do Rio terá inicialmente 35 escolas abertas

Pedro Zuazo
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A volta às aulas presenciais na rede municipal do Rio, no próximo dia 24, contará inicialmente com 35 escolas abertas. Esse número será ampliado a cada semana, conforme forem concluídas as adaptações que estão sendo feitas em cada unidade para atender ao protocolo validado pelo comitê de enfrentamento à Covid-19 da prefeitura. De acordo com o secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha, embora o número inicial seja pequeno em relação à rede, que tem no total 1.543 unidades, a ideia é que ele cresça em progressão geométrica.

Os nomes das primeiras 35 escolas que vão abrir serão revelados em uma entrevista coletiva, no próximo dia 18. Ao GLOBO, o secretário adiantou que elas estão espalhadas pela cidade. São pelo menos duas escolas de cada uma das 11 CREs (Coordenadorias Regionais de Educação) que compõem a estrutura da rede.

— Esse é um número vivo. A cada semana, teremos uma quantidade bem maior de escolas que já estarão cumprindo o nosso checklist de adaptação de infraestrutura e do protocolo sanitário. Queremos com isso passar segurança e mostrar o quão sério está sendo a condução desse processo e o quão seguro é o nosso planejamento — afirma Ferreirinha.

Também já foram definidas as datas de cada uma das três fases previstas no plano de volta às aulas. A primeira fase, que começa no dia 24, prevê o retorno parcial dos alunos da pré-escola, 1º e 2º ano. A segunda fase terá início no dia 17 de março, com a volta parcial dos alunos de creches, 3º ao 6º ano e 9º ano. Na 3ª e última etapa, que vai começar no dia 31 de março, haverá o retorno parcial de mais alunos de creches e 6º ano, alunos do 8º ano, PEJA e Classes Especiais.

Para fazer as adequações necessárias nas unidades, a pasta montou uma força-tarefa com as CREs, que entraram em contato com cada escola para entender os desafios em relação à infraestrutura ou outros motivos de inadequação ao protocolo, como sujeira acumulada.

Também foi feito um levantamento de disponibilidade de pessoal, já que os profissionais da área que se enquadram em algum grupo de risco para Covid-19 não serão convocados para as atividades presenciais. No caso dos alunos, o retorno será optativo. Estudantes que estiverem enquadrados em grupos de risco ou que não se sentirem à vontade para voltar presencialmente poderão acompanhar as atividades remotas pelo aplicativo Rio Educa Em Casa, que será lançado no dia 23.

— Em relação à estrutura, os principais elementos que têm causado dificuldades são problemas nas partes hidráulica e elétrica, infiltrações e telhados. Esses problemas são dinâmicos. Tivemos nos últimos dias uma forte chuva no Rio que já danificou escolas que não estavam danificadas. Esse será um trabalho constante — explica o secretário.

Além das questões sanitárias, outra questão que precisou ser resolvida foi o acesso das escolas à internet. Segundo Ferreirinha, nenhuma das 1.543 unidades tinham internet funcionando quando ele assumiu a pasta.

— Todas estavam com o serviço de internet suspenso por falta de pagamento. Logo que entramos, restabelecemos o serviço de internet passando credibilidade ao fornecedor, em um trabalho feito em conjunto com a Secretaria de Fazenda — diz.

Também havia problema nos contratos de limpeza, segundo Ferreirinha, que montou uma operação de emergência com a Comlurb em janeiro para limpar as unidades. Como a operação de emergência não foi suficiente, foi feito um contrato emergencial e as escolas devem ter o serviço restabelecido essa semana.

O anúncio sobre a reabertura das unidades contrasta com a posição do Sindicato estadual dos Profissionais de Educação (Sepe-RJ). De acordo com o coordenador-geral do sindicato, Gustavo Miranda, a categoria está em greve e só voltará quando houver imunização.

— Nossa categoria trabalha com 30 pessoas em um ambiente fechado de 30 metros quadrados. A estrutura das escolas é precária e o risco é muito grande. A vacina é uma realidade — diz Miranda.

Desde o início da nova gestão, há 40 dias, o Sepe teve duas reuniões com representantes da Secretaria municipal de Educação. Na primeira delas, o secretário estava presente. Ferreirinha se apresenta como defensor do diálogo, e afirma que é preciso encarar o debate com responsabilidade.

— Tenho falado com representantes de sindicatos, conselhos regionais e também com os conselhos escola-comunidade. Venho dizendo a todos que podem listar os problemas concretos. Mas é uma questão de responsabilidade encarar esse debate e mostrar que na cidade do Rio a educação é, sim, prioridade. Nesse momento de tantas dificuldades e incertezas, a educação é essencial — afirma.