De volta ao cronograma do Ministério da Saúde para março, vacina indiana não entrega documentação na Anvisa

Renata Mariz
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BRASÍLIA — Representantes da Precisa, parceira da Bharat Biotech na produção da vacina indiana Covaxin, reuniram-se com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para receber orientações sobre a requisição de uso da vacina, mas ainda não entregaram a documentação para obter autorização para uso emergencial ou registro da vacina, medida necessária para que possa ser aplicada no Brasil. Mesmo assim, o Ministério da Saúde recolocou a previsão de 8 milhões de doses do imunizante para serem entregues ainda em março. O titular da pasta, Eduardo Pazuello, admitiu que a previsão pode ser alterada.

O GLOBO apurou que a farmacêutica ainda "não têm os dados mínimos" para pleitear o aval da Anvisa. Em nota, a agência afirma que o laboratório ainda está reunindo informações. "A Precisa Farmacêuticas indicou que ainda está reunindo documentos e informações técnicas para poder formalizar qualquer pedido junto à Anvisa", destacou a agência.

O cronograma de vacinação apresentado nesta segunda-feira por Pazuello, por sua vez, prevê a distribuição de 8 milhões de doses deste imunizante ainda neste mês. No dia 6 de março, o cronograma divulgada pela pasta não continha mais a previsão de entregas para março.

Pazuello não explicou porque a pasta voltou a contar com a Covaxin para este mês, mas ressaltou que alterações são normais.

— Então, (se a Covaxin não receber aval e não for entregue), nós contaremos aí com 28 milhões, 30 milhões de doses no mínimo, podendo ir além com a chegada da Bharat Biotech. (...) Espero ter sido claro e bem transparente sobre um cronograma previsto. Porque é impressionante quando você apresenta um cronograma previsto e as pessoas perguntam: o cronograma está alterando. O cronograma é para ser alterado, quando a farmacêutica não entrega, a linha de produção para, quando acontece qualquer dificuldade na legalização das doses.

Ao todo, a pasta prevê a compra de 20 milhões de doses da Covaxin por meio da Precisa. Outra vacina ainda não aprovada pela Anvisa que consta no cronograma para ser aplicada em breve é a Sputnik V. A pasta assinou um contrato para adquirir, ao todo, 10 milhões de doses, com a entrega de 400 mil doses em abril.

A Sputnik V é representada no Brasil pela União Química e fabricada pelo Instituto Gamaleya, da Rússia. A Anvisa considerou insuficiente a documentação entregue até agora e paralisou o processo até receber uma complementação.

Pazuello destacou que só haverá pagamento e recebimento quando o imunizante tiver aval do órgão regulador:

— Senhores, ainda não há documentação recebida de forma completa pela Anvisa para autorização de uso desta vacina. O contrato está feito, o empenho está feito. Só será recebido e pago quando houver certificação pela Anvisa.