De volta ao Vasco, Luxemburgo avisa: 'Não sou covarde'

Carlos Eduardo Mansur
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Há cerca de um ano, Vanderlei Luxemburgo deixava o Vasco após não haver um acordo para a renovação de contrato. Ao fim da temporada de 2019, ele deixava o clube fora da zona de rebaixamento e classificado para a Copa Sul-Americana. A situação, no entanto, era incomparável com a atual. Na ocasião, embora o Vasco fosse o último colocado, o Campeonato Brasileiro ainda estava na quinta rodada. Hoje, encontra um paradoxo: vê um clube mais estruturado, mas um time em situação bem mais delicada.

Tanto que Luxemburgo evitou a todo custo, em sua apresentação, falar em projetos de longo prazo e renovação de contrato após 24 de fevereiro, quando termina a Série A.

— Claro que o objetivo é uma renovação. Mas agora é pensar num campeonato de 12 jogos. Se formos campeões ou vice-campeões deste campeonato de 12 jogos, o Vasco estará na Série A. A manutenção na primeira divisão é a prioridade — disse o treinador. — Muitos não aceitariam o trabalho neste momento. Mas eu não sou covarde.

Prova disso, segundo ele, foi o fato de propor ao clube uma remuneração apenas em caso de atingir o objetivo de evitar o rebaixamento. O tempo todo, Luxemburgo evitou falar em voos mais altos.

— Tenho até o dia 24 para trabalhar. Se não conseguirmos ficar na Série A, por que vou querer receber um mês de salário? Então achei melhor ter uma premiação, ao final do trabalho, caso o Vasco fique na primeira divisão.

O presidente Alexandre Campello, no entanto, deu a entender que Vanderlei terá algum tipo de remuneração fixa.

— A gente agradece a postura do Vanderlei, mas todo trabalho precisa ser remunerado.

No campo, o técnico chegou tentanto "antecipar etapas", como ele próprio definiu. Diante de apenas 12 jogos e uma estreia já na quinta-feira, contra o Atlético-GO, Luxemburgo disse ser impossível planejar o trabalho como faria em uma temporada inteira. No fim de semana, o elenco já foi submetido a um treino em tempo integral. Algo que o próprio técnico disse que não será rotina.

— Precisamos usar nossa experiência e colocar o máximo de informação possível para os jogadores. Mas não adianta arrebentar os caras, em especial na parte física. O primeiro passo é não levar gol. Se o time tiver que ser reativo, vai ser. Se puder ser proativo, também vai ser. O gol vai sair porque temos um goleador — disse Luxemburgo.

Revelações da base

Após a conquista da Copa do Brasil sub-20, além da presença de vários jovens no elenco principal, seria inevitável que Luxemburgo respondesse sobre o aproveitamento das revelações do clube. Em espeical Talles Magno, lançado pelo treinador em 2019.

— Eu o vi num coletivo dos reservas contra os juniores e perguntei quem era aquele garoto. Falaram que estava na reserva na base, que tinha só 16 anos. Então pedi para que o deixassem comigo. Todo jovem vai ter oscilação, é natural. Poucos vão numa linha reta. Já comecei a conversar com ele para entender os motivos. O fundamental é que ele um garoto bom — disse.

Para Vanderlei, o fundamental é fazer com que Talles se sinta à vontade para jogar.

— Ele é um tipo de jogador irreverente, indolente no bom sentido. Se você chegar e disser que ele não pode dar lambreta, driblar, ele não vai jogar bola. Tem que incentivá-lo a fazer aquilo que os outros não sabem fazer — defendeu Luxemburgo.

Ele também elogiou o meia Juninho, outro que está no elenco principal e não teve muitos minutos com Ricardo Sá Pinto. Luxemburgo lançou, no entanto, um alerta sobre a pressa em subir os campeões da Copa do Brasil Sub-20.

— Eu sempre gostei de lançar jovens. Mas não adianta pensar que se colocar toda essa equipe em cima eles vão salvar o Vasco. Tem que ter calma. Pec, que já jogou comigo, encorpou. Riquelme é franzino. É preciso trabalhar bem. Há jovens que estão em cima, como o Juninho. Ele é também meio indolente, meio irresponsável. É como o Talles, gosta de fazer uma coisa diferente com a bola. Fora de campo gosta de dar um beijo na namorada. Eu também gosto. Isso não é errado — disse o treinador.