Volta do batuque: após um ano e meio, Cacique de Ramos reabre quadra com roda de samba gratuita no dia 14 de novembro

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RIO — Foram quase 18 meses sem o batuque dos tamborins, surdos e pandeiros ecoar embaixo da lendária Tamarineira. Mas a espera chegou ao fim. No próximo dia 14 de novembro, o tradicional bloco Cacique de Ramos volta a realizar as rodas de samba aos domingos. De acordo com a organização do evento, o retorno foi possível graças à tendência da redução de casos de Covid-19 no Rio e ao avanço da vacinação na cidade. A festa começa às 17h, com entrada gratuita. Medidas sanitárias serão adotadas, como a disponibilização de álcool em gel, medição da temperatura e o uso obrigatório da máscara.

Na reabertura, apresentações de Marquinhos Sensação, o Imperador do Samba; Ale Maria, cantora argentina que é considerada uma das vozes mais promissoras da nova geração; e Gabrielzinho do Irajá, ator, cantor e compositor cria do subúrbio carioca que, aos 23 anos, já está acostumado a comandar várias rodas de samba há tempos. Fundador do bloco, Ubirajara Félix do Nascimento, de 84 anos, conhecido como Bira Presidente, não esconde a ansiedade dessa "reestreia".

— Nós temos o melhor público do Brasil. No dia 14, se Deus quiser, será o nosso retorno, a volta do autêntico samba de raiz. Nossos portões estarão abertos para receber todo esse público que ajudou a construir o sucesso do Cacique de Ramos e que merece meu respeito.

Bira destaca a história do bloco, fundado em 1961 e onde surgiram nomes como Jovelina Pérola Negra, Beth Carvalho, Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho, além do grupo Fundo de Quintal, do qual ele faz parte. No carnaval, os desfiles pelo Centro costumam arrastar oito mil pessoas. Já as rodas de samba levam até quatro mil para a quadra da Rua Uranos. E foram muitos os pedidos para o retorno dos eventos.

— Estamos desde a chegada da Covid, em março do ano passado, com a quadra fechada. O Brasil inteiro ligando para nós, caravanas querendo visitar o Cacique. Mas não podíamos retomar os trabalhos. Estávamos esperando avançar a vacinação para reabrir o espaço com segurança para o grupo, visitantes, funcionários, para todo mundo.

A quadra, inclusive, chegou a entrar na lista dos postos extras que foram montados no Rio para ajudar a desafogar as filas que se formaram durante a campanha de imunização. Lá, foram vacinados, por exemplo, o ex-governador Wilson Wtizel e o gari Renato Sorriso.

Comemorando 60 anos em 2021, o Cacique de Ramos lançou camisa comemorativa e foi o grande homenageado do Festival Folia Carioca, documentário gravado na quadra do bloco que é um dos maiores símbolos da cultura da Zona Norte do Rio. A obra mescla entrevistas com músicas e cita a importância, inclusive econômica, do Cacique de Ramos para a região. A produção do documentário ainda faz uma reverência ao cantor e compositor Ubirany, lenda do Fundo de Quintal e que morreu em dezembro do ano passado, vítima de Covid-19.

Em 2010, logo após ter celebrando os seus 50 anos, o Cacique de Ramos foi tombado como Patrimônio Imaterial da Cidade do Rio e condecorado com a Medalha Tiradentes pelas cinco décadas de existência, tradição e contribuição à cultura e à música brasileira.

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